Planeta dos Macacos: A Origem

           

            Quarenta e três anos, quatro sequências e uma fracassada refilmagem depois de ‘Planeta dos Macacos’ (Planet of The Apes) entrar para a história do cinema, a série, cujo primeiro filme se baseou num livro de Pierre Boulle, ganhou um novo capítulo sob a direção do desconhecido Rupert Wyatt. ‘Planeta dos Macacos: A Origem’ (Rise of The Planet of The Apes) atualiza a franquia trazendo os macacos para a era atual.
             Se no original, os humanos eram transportados para o futuro, onde os macacos dominam a Terra e os humanos são escravos, aqui esses animais ainda não se rebelaram, sendo testados para uma nova substância que pode ser a cura de doenças neurológicas, como a demência do pai do protagonista. Após um incidente no laboratório, todos os macacos são sacrificados, com exceção do filhote Cesar, que é levado para a casa do cientista Will Rodman (James Franco, de ‘127 horas’), que observa seu crescimento e sua inteligência (avançada pelo remédio dado a mãe) e cria laços familiares com o bichinho. Claro que criar um macaco dentro de casa trará complicações que logo colocaram Cesar em contato com outros de sua espécie.
            O filme se aproxima do terceiro da série, ‘A Conquista do Planeta dos Macacos’ (1972), em que os macacos do futuro voltam ao passado, sendo uma versão moderna deste, com a diferença de que os personagens da versão 2011 não vêm de outra época e não foram desenvolvidos nos filmes anteriores. Assim, funciona como se fosse um filme isolado do resto da franquia, sem ligações com as outras tramas, com exceção de Cesar, que está presente em outros filmes, mas que aqui conhecemos filhote.
            Antes pessoas maquiadas, agora animais de computação gráfica pela empresa de Peter Jackson, responsável pela refilmagem de ‘King Kong’. Essa mudança permitiu maior vida e agilidade aos personagens peludos em relação aos de 40 anos atrás, mas o mais importante: permitiu acompanharmos o crescimento de Cesar e desenvolver vínculos importantes para o filme funcionar (quem não achou uma gracinha ele crescendo que atire a primeira pedra). A aproximação com o presente também colabora para que o espectador se envolva de cara com a trama e com os personagens de James Franco e a veterinária interpretada por Freida Pinto (“Você vai Conhecer o Homem de seus Sonhos”).
           Envolvente e divertido, a obra trás uma explicação interessante para o resto da série e o tal planeta dos macacos. É aquele filme pipoca que só quer divertir, mas que mesmo assim tem por trás uma forte discussão sobre valores éticos sobre o ser humano e seu poder, críticas também presentes no primeiro filme, mas que aqui continua tão atual quanto na época da Guerra Fria. Por que quando começamos a torcer por macacos e não pela nossa própria espécie, algo está errado ou o filme é muito bom mesmo, e aqui cabem esses dois argumentos.

Um comentário em “Planeta dos Macacos: A Origem

  • 31 de agosto de 2011 a 10:39
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    Não fui muito entusiasmado como você. Acho apenas um filme bom, com uma ótima atuação no centro que ancora a identificação do espectador.

    Agora é esperar as inevitáveis sequências.

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