Tudo Pelo Poder

    
       Um ano antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos e em meio a sensação de decepção global com o governo de Barack Obama, chega o novo filme de George Clooney, com ele no papel principal e assumindo as câmeras pela 4ª vez (dirigiu também Amor Não Tem Regras e Boa Noite e Boa Sorte). Na pele de um governador democrata, concorrendo pela candidatura à presidência com um senador menos popular, Clooney representa o candidato ideal para os progressistas e mostra que no jogo da política as coisas são bem complicadas.
       A disputa é pelos votos da cidade de Ohio. Apesar da vantagem de Mike Morris (Clooney) sob o outro candidato, a vitoria desse poderia resultar numa virada de jogo. Em meio ao complexo sistema das primárias nos EUA, acompanhamos o coordenador da campanha de Morris, Paul (Philip Seymour Hoffman), e seu assessor de imprensa Stephen (Ryan Gosling, de Amor a Toda Prova), junto com Tom Duffy (Paul Giamatti), o coordenador da campanha do outro candidato. Quatro personagens aparentemente muito éticos que enfrentam um ponto decisivo da eleição.
       Tudo Pelo Poder (The Ides of March) revela a sujeira dos bastidores da política. Sem amarras, o diretor  construiu, com inteligência, um thriller extremamente atual. Só reparar nos discursos de Morris, em como eles são atuais e como criticam a política americana e seus políticos (em muitos momentos é possível estender as críticas a Obama), além de várias ideologias desgastadas dos republicanos. Clooney explora, sutilmente, os podres de uma sociedade inteira e ainda põe em questão o quanto o ser humano pode ir contra seus valores para conseguir algo. Mesmo que sejam democratas.
      Diferentemente dos seus dois últimos projetos, o diretor aqui revela agilidade para conduzir a trama, de modo a realmente entreter quem assiste sem se dispersar de toda a mensagem moral (ou amoral?) por trás da obra. O filme realmente prende o expectador por meio de um roteiro também inteligente, enredo refinado e, claro, um elenco de dar inveja. Gosling, no papel principal do filme, recebeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor ator, justíssima, junto com outra indicação por Amor a Toda Prova, marcando definitivamente 2011 como o melhor ano de sua carreira (também estréia Drive, destaque no festival de Cannes desse ano). Consegue se provar um excelente ator ao lado de consagrados ícones do cinema, como Hoffman e o próprio Clooney. Os coadjuvantes também não deixam nada a desejar.
       Achar um defeito em Tudo Pelo Poder não é tarefa fácil. Uma trama complexa, ágil e atual, merecedora das três indicações ao Globo de Ouro (melhor filme, ator e diretor) que recebeu. Sem dúvida o melhor filme de Gosling em frente às câmeras e o melhor de Clooney por trás delas.

2 comentários em “Tudo Pelo Poder

  • 31 de dezembro de 2011 a 17:58
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    Rafael:Ae fabrão, esse filme foi foda mesmo, filmão!

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  • 14 de fevereiro de 2012 a 17:31
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    voce tirou as palavras da minha boca; um tema bem dficil, complicado de desenvolver mas ficou muuuuuito bom e envolvente! quando tava vendo nao queria que acabasse… achei tb q escolheram os atores certos pra cada personagem! filme demaissss

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