Compramos um Zoológico

 
Todo mundo que já perdeu alguém importante sabe como pode ser difícil superar a morte de um querido. Alguns passam pelo drama com mais facilidade, outros não, mas para todos é sempre complicado. Numa tentativa de seguir em frente, o jornalista britânico Benjamin Mee mudou da cidade para o campo comprando um zoológico. A “aventura”, como é chamada no filme sua jornada, deu origem ao livro Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo) e à sua adaptação homônima.

Matt Damon (Invictus, trilogia Bourne) vive o jornalista, pai de uma menina de sete anos e um perturbado menino pré-adolescente. Seis meses após o morte de sua esposa, seu emprego e sua relação com o filho vão de mal a pior e ele não consegue superar o vazio em sua, deixado pela falecida. Ao tentar mudar de ares, acaba comprando um zoológico e logo percebe que administrá-lo será um grande desafio. Entretanto, ele contará com a ajuda dos empregados da fazenda, que incluem Kelly Foster, a personagem de Scarlett Johansson (Vicky Cristina Barcelona).

O filme vem de encontro com a situação do diretor, Cameron Crowe (Jerry Maguire, Quase Famosos). Ele estava afastado das câmeras desde que dirigiu Tudo Acontece em Elizabethtown, em 2005, fracasso de público e crítica. Depois de sua própria jornada de reencontro consigo mesmo, retorna a dirigir justamente uma obra alto-astral sobre superações e recomeços, sobre reinventar-se. E não falha.
   
Compramos um Zoológico é uma aventura repleta de boas intenções. A principal é, claro, incentivar a esperança da platéia. Crowe transporta para às telas os feitos de Benjamin, carregadas ora de emoção, ora de drama, dos mais simples: o cotidiano transtornado do jornalista e sua família. A doçura e ingenuidade da menina encanta e os problemas do outro filho preocupam. A relação dos três é complicada ainda mais com as dificuldades do zoológico, mas juntos eles devem ter seus vinte segundos de coragem. Damon conduz o filme com seu personagem e é nas cenas de maior drama que percebemos que ele não é um ator comum e sim um dos melhores de Hollywood.

A simplicidade do filme, aliada aos animais, aos romancezinhos, ao ambiente bucólico é o que faz a aventura ser tão grandiosa. Não chega a ser tão profundo, emocionante e motivador como em Um Novo Despertar, em que o personagem de  Mel Gibson tenta se livrar de uma profunda depressão com a ajuda de um fantoche de castor, assumindo uma segunda personalidade, mas continua valendo. Aqui Matt Damon tem um zoológico e uma nova família, os trabalhadores de lá, para seguir em frente.

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