Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

   
       Sempre que algum filme de grande apelo comercial não é feito em Hollywood, surge um remoto interesse em refilmá-lo em inglês e embarcar no sucesso estrangeiro. Recentemente, foi assim com o espanhol [REC] e o sueco Deixe Ela Entrar. Quando foi anunciado que David Fincher (indicado ao Oscar por A Rede Social e O Curioso Caso de Benjamin Button), um dos melhores diretores da indústria americana, comandaria o remake de Os Homens que Não Amavam As Mulheres (na verdade, uma readaptação do bestseller de Stieg Larsson, homônimo), surgiu a esperança de que o filme não seria apenas uma refilmagem desnecessária em língua inglesa com atores famosos. Se era necessária a nova versão do filme, talvez não, mas ela, com certeza, supera a versão sueca com estilo e muita tensão.
       Na trama, Mikael Blomkvist (Daniel Craig, o atual James Bond) é um jornalista condenado por difamação por bater de frente com um dos grandes magnatas da indústria sueca, numa reportagem da revista Millennium, dirigida por ele e pela sua grande amiga Erika Berger (Robin Wright). Afastando-se da revista, recebe a proposta de investigar o assassinato de Harriet Vanger que aconteceu 40 anos antes, e cuja lista de suspeitos limita-se à sua família, repleta de rivalidades. Paralelamente, vemos a investigadora mais peculiar da Milton Security, Lisbeth Salander (Rooney Mara, indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo papel), enfrentar problemas com seu novo tutor. O elo entre eles? Lisbeth sabe tudo sobre Blomkvist, já que fez uma investigação pessoal sobre o jornalista.
        Do livro para as telas, muito se perde. Mas a versão de Fincher engloba grande parte das páginas, sem grandes cortes drásticos e, aliás, se apropria bem melhor do livro que a sueca, apesar de fazer algumas modificações, que não devem incomodar os leitores. Uma melhor atenção aos relacionamentos de Mikael (ignorando o com Cecília, infelizmente) e à personagem de Lisbeth, sutil toques de humor e um tom de cores mais escuras se somam à agil trama, conduzida brilhantemente por Fincher. O diretor prova novamente, depois de Zodíaco e Seven – Os Sete Crimes Capitais, que consegue grudar o espectador nas mais complexas tramas de investigação e, nos momentos em que abusa da carta branca que recebeu pra fazer um filme pesado e adulto, intimida com força de maneira que o filme original nem chegou perto. Fincher ainda apela para uma trilha sonora que, nos momentos mais monótonos (Mikael analisando fotos em seu notebook, por exemplo), prende a atenção de um jeito que faz quem assiste se tornar quase obssecado pelo mistério, e em outros momentos, como na impactante abertura do filme, funciona de um modo impecável como a direção de Fincher.
        Quanto aos atores, Craig está muito bom na pele do Super-Blomkvist (apelido que não é mencionado no filme, infelizmente, talvez por não haver brechas para explicá-lo), mas quem rouba a cena, assim como Noomi Rapace (Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras) no original, é Rooney Mara no papel da garota da tatuagem de dragão. Sua presença intimida e agrada e sua atuação é a Salander saída dos livros. Por mais estranha que a personagem seja, é impossível não simpatizar com ela, como na obra de Larsson. Merecida a indicação ao Oscar, que ela deve levar no próximo filme (se houver e se ela continuar assim).
        Se Stieg Larsson não tivesse morrido, com certeza estaria honrado com essa nova adaptação do primeiro livro da sua trilogia. David Fincher mantém quem a assiste tão intrigado quanto quem leu o livro ficou ao lê-lo, e esses ficarão de novo ao assistir a essa obra. Em suma, a Millennium americana começou de maneira envolvente e intimidadora. Uma obra para adultos com coragem de ser explicitamente para eles. Não deve decepcionar ninguém, só perturbar um pouquinho.

4 comentários em “Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

  • 12 de fevereiro de 2012 a 00:47
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    "Não deve decepcionar ninguém, só perturbar um pouquinho." falou tuudo, gabe
    amei a crítica :)

    beeijos, biaa

  • 13 de fevereiro de 2012 a 20:45
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    Gabriel………muito bom esse seu comentário!!!Me deixou com água na boca para ver o filme.E vamos concordar, esse diretor é muito bom.Se for no mesmo nível de Seven(que realmente me deixou perturbada e grudada na poltrona-ou melhor no sofá, já que assisti em casa kk)já vai estar bom demais.Vou ver se consigo convencer LG a ir comigo!!!
    Já tinha ouvido falar que o trabalho da garota é muito bom, mas não deve levar o Oscar.
    bjs

  • 13 de fevereiro de 2012 a 22:38
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    Crítica sempre excelente, Fabri! Não podia deixar de comentar, tá de parabéns! Beijos!

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