Ted

         
     Apropriar-se de elementos infantis para construir uma narrativa adulta pode ser uma técnica interessante de inovar na criação de histórias. De fato, propicia aos mais velhos um vago retorno ao passado. O filme Ted, de Seth MacFarlane (criador dos desenhos adultos Family Guy e American Dad), inicia-se com essa volta à infância, onde um menino tímido deseja que seu ursinho de pelúcia ganhe vida – e, por um “milagre”, ele ganha e vira protagonista de uma história fraca, porém engraçada.
     O menino cresceu e o drama daquele sem amigos mudou. John (Mark Mahlberg) agora tem um emprego e uma namorada, Lori (Mila Kunis, de Amizade Colorida), que divide as atenções do homem com o ursinho Ted, ainda o seu melhor amigo. Depois de alguns conflitos, John terá que amadurecer para não perder nem Lori, e nem o bichinho no processo.
    Ted é uma típica comédia romântica em que o homem se encontra na situação em que as duas pessoas que ele mais ama entram em conflito. O grande atrativo do filme é mesmo a boca suja e a rotina composta de drogas, mulheres e bebidas alcoólicas de um ursinho de pelúcia (Ênfase no personagem aqui), porque se não fosse por um brinquedo ganhando vida, apresentaria-se apenas um enredo batidíssimo. A piada vem do fato de Ted não ter a menor vergonha para falar ou realizar qualquer ação que quiser – e o fato de ser um ursinho agindo dessa maneira, como um adulto sem a menor noção de etiqueta, traz a graça à trama.
    De um modo geral, Ted é uma comédia exagerada, com situações mais ou menos absurdas (além do fato do protagonista ser uma pelúcia), diálogos divertidos e até referencias a personalidades da atualidade (a brincadeira com Taylor Lautner no final vale o ingresso). Segue uma estrutura tradicional de comédia que funciona bem. O que talvez seja o ponto mais curioso do filme é ver as dualidades de um ursinho fofo falando como um adulto sem-vergonha e de um filme adulto com uma estrutura de fábula infantil. Em suma, poderíamos definir Ted como uma fábula para adultos e o personagem como a personificação do público que o filme quer atingir e provocar? Por mais escrachado que o longa seja, o moralismo é grande a ponto do espectador sair da sala querendo abraçar todos os ursinhos que ver no shopping. Para uma obra que prometia ser apenas mais uma comédia hedonista, Ted mostra o outro lado, mais cai no clichê. Se for um acerto ou não, vai depender muito do espectador.

Um comentário em “Ted

  • 6 de outubro de 2012 a 14:06
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    Legal….vou conferir hoje mesmo!!

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