Madonna – MDNA Tour (04/12)

   

Uma cruz é projetada nos enormes telões com as letras MDNA escritas; o badalar do sino anuncia o início de um ritual religioso – o encontro com A Rainha se aproxima. Começa definitivamente mais um show da turnê que vem arrancando suspiros no mundo inteiro, já em sua fase final na América Latina. Uma igreja é projetada e logo tem seus vidros quebrados numa sequência impressionante, onde surge aquela que, apesar de querer muito ser boa, não consegue deixar de ser uma bad girl. Uma simples exclamação (“oh my god“) é suficiente para levar o Morumbi ao delírio. É de Madonna que estamos falando, afinal.
O público mais xiita já tinha recebido uma palha do que estava por vir. Por volta das seis da tarde, a cantora entrou no palco de óculos escuros e cabelo preso, perguntou “eu sou gostosa?”, se divertiu gritando “é isso ai, caralho!” (sic) e ensaiou uma pequena porção de músicas, incluindo as duas que abrem o show: Girl Gone Wild e Revolver. Sem toda a ambientação que a estrutura da MDNA Tour proporciona, os fãs já tinham adorado. E na hora do show, mesmo pra quem viu o ensaio, essas canções pareciam algo surreal, assim como todo o primeiro bloco.
Madonna, 54 anos, joga suas melhores cartas logo de cara, no início do espetáculo. Começa com o primeiro single do novo álbum e em seguida pega uma metralhadora e um revolver para matar todas as “vadias” que vê pela frente. Revolver empolga ainda mais o público e prepara o terreno para a melhor performance da noite: Gang Bang, em que a Rainha atira em qualquer pessoa que pise em seu caminho. Aqui, evidencia-se algumas das melhores qualidades de Madonna, que torna de longe os seus shows os melhores espetáculos já produzidos: sem medo de apelar, apresenta uma coreografia sensacional, essencialmente violenta, dentro de um “motel”, somada à toda a tecnologia que o show oferece. Telões são borrados de sangue, alinhados com os disparos de Madonna. Sem dúvidas, a performance mais impressionante de sua carreira. E o público, pelo menos o localizado na pista premium, foi ao delírio e berrou junto: “if you gonna act like a bitch, then you gonna die like a bitch“.
É certo que os pontos altos de suas turnês mais recentes são as músicas mais antigas. Na MDNA Tour, entretanto, o primeiro bloco funciona perfeitamente, e quase sem elas. Papa Don’t Preach é cantada rapidamente, e deixa um gostinho de “queremos mais”. Hung Up tem uma coreografia sensacional, com direito a slackline, mas a versão meio satânica da música não ficou muito boa (a apresentada na Sticky and Sweet Tour, em 2008, era muito melhor). E a música que encerra o bloco curiosamente anima mais que essas duas últimas antigas: I Don’t Give A coloca o Morumbi num coro ensurdecedor quando a voz da rapper Nicki Minaj declara que “só existe uma Rainha”.
Recado dado? Ainda não. Madonna volta de cheerleader com Express Yourself abrindo o primeiro bloco. Não é surpresa alguma o que se sucede: os brasileiros finalmente podem ver ao vivo a famosa e épica alfinetada que Madonna dá em Lady Gaga. Todos cantam o refrão de Born This Way seguido de um trechinho de She’s Not Me (traduzindo: ela não sou eu), cantado enquanto Madonna rebola e se diverte mostrando a calcinha vermelha. Nos telões, imagens de monstrinhos comendo ideias da Madonna enlatadas. Autoafirmação demais? Nunca. Logo em seguida, M.I.A. aparece nos telões repetindo “I don’t give a shit” e logo todos acompanham no coro de Give Me All Your Luvin’: “L-U-V MADONNA!”. Um vídeo com cenas de vários clipes da carreira de Madonna encerra a parte do show que mais se encaixa no que chamei em março de “a reivindicação do trono” (leia aqui o texto). Começa então outro grande momento do show: o último single lançado, Turn Up The Radio, é a música mais animada até então. A performance foi simples, mas marcante.
Open Your Heart ganha uma nova versão, que é seguida pelo momento em que a cantora mais interage com a multidão. Ela preza para que todos tratem uns aos outros igualmente, pois “não há diferenças no mundo. Somos todos uma única alma”. Antes, colocou todos para gritar umas palavras em um dialeto basco, dizendo “esmague maçãs, São Paulo”, que significava esmagar “preconceitos, divisões, julgamentos e todo tipo de guerras”. “Por que existem guerras? Porque achamos que somos melhores que alguém, que algo é nosso quando não é”, argumentou. Depois, colocou o estádio inteiro para gritar “fuck yeah!” para a paz mundial, fim das guerras, amor incondicional etc. O maior grito foi depois de ela soltar novamente o palavrão “caralho”, que aparentemente adorou. Seguiu-se o momento mais belo do show, a canção vencedora do Globo de Ouro no começo do ano, Masterpiece (escrita para o filme W.E. – O Romance do Século).
A partir do interlude de Justify My Love, o show perde um pouco do encanto. Vogue é mais uma vez cantada, sem novidades; Candy Shop fica excelente numa versão mais sensual, mas não empolga; e, por fim, Human Nature recebe uma simples performance com espelhos que lembra muito o clipe de 1994 e termina com um strip-tease. Duas decepções se seguiram: ninguém entendeu o que estava tatuado nas costas da Madonna e ela simplesmente cortou fora a nova e sexy versão de Like A Virgin.
         
O incrível interlude de Nobody Knows Me é sucedido pelo bloco final do show. Não é preciso adivinhar que o melhor momento, das quatros músicas cantadas, foi Like a Prayer. A versão da Sticky and Sweet era muito melhor, entretanto é impossível ficar parado com um clássico como esse, certo? E ainda teve a bandeira do Brasil para o delírio final dos fãs. O encerramento com Celebration e Give it 2 Me pois todo mundo para comemorar ter passado a noite com a Rainha do Pop. Entretanto, para um show que começou de maneira tão surreal, o bloco final pareceu batido. Desconsiderando Like a Prayer como a penúltima música, pode-se dizer que Madonna deixou o melhor para o começo. Ficou faltando o gran finale. Mas okay, a sensação ainda é a de que o show foi “FUCK YEAH!”.

         
Leia mais textos sobre Madonna, escritos por Gabriel Fabri:

       
     

Um comentário em “Madonna – MDNA Tour (04/12)

  • 7 de dezembro de 2012 a 13:03
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    Adorei seu resumo Gabriel! E qdo diz que após Justify my love o povo meio que parou… mas eu tenho uma explicação: vária pessoas, que nem são fãs da Mad entraram no show apenas p criticar, isso pq a produtora dos eventos baixou a preço de banana os ingressos e qqr um pode entrar! mas enfim… Foi o maio expetáculo do ano!!!!!!

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