Philomena

 
Por Gabriel Fabri

Na primeira semana de fevereiro, segundo reportagem da Rolling Stone, Philomena Lee se encontrou com o Papa Francisco, no Vaticano, acompanhada do ator principal e produtor do filme inspirado em sua experiência pessoal, Steve Coogan. “Eu acredito e espero que a Sua Santidade possa se juntar a mim na luta para ajudar milhares de mulheres e crianças que precisam de um desfecho para as próprias histórias”, afirmou ela, durante a ocasião. O desfecho para a narrativa de Lee, porém, foi descoberto com a ajuda do jornalista Martin Sixsmith e envolve diretamente a discussão a respeito da fé e do moralismo em torno dos dogmas da Igreja católica. É sobre a busca por essa descoberta que se trata Philomena, dirigido por Stephen Frears (A Rainha) e um dos concorrentes ao Oscar 2014 de Melhor Filme.
A trama desnuda um caso grave envolvendo os dogmas dessa instituição entre fiéis. Um convento na Irlanda, no qual Philomena passou sua adolescência, punia as suas moças que tiveram filhos com trabalho árduo e privando-as do contato com eles. As crianças eram colocadas para a “adoção” (o filme indica que elas eram, na verdade, vendidas), sem o consentimento das mães. Tudo isso, pois sexo antes do casamento era considerado um pecado tão grande que dizia-se justa esse tipo revoltante de punição.
Por trás da crítica à servidão cega aos dogmas da religião e a discussão em torno de suas consequências, Philomena se apresenta como um relato de investigação jornalística envolvente, ao acompanhar Judi Dench e Steve Coogan, nos respectivos papéis de Lee e Sixsmith, na busca pelo filho perdido de Philomena. A senhora não o via há 50 anos, quando ele foi levado do convento sem ao menos ter chance de se despedir. Os dois protagonistas buscam então a identidade e o paradeiro do homem, entrevistando as pessoas que conviveram com ele na vida adulta.
O longa é um retrato da construção de um perfil jornalístico transposto para as telas do cinema, seguindo, sem grandes surpresas, a estrutura simples de um filme de investigação. Cativa pela divertida atuação de Judi Dench, cuja personagem se contrapõe a de Coogan: enquanto ela sempre tenta agradar aos outros e parecer simpática, ele é ranzinza e fala o que pensa (e, por sinal, é ateu, outro grande contraponto ás convicções de Lee). Os dois opostos têm química e são engraçados, cada um a sua maneira, tornando Philomena uma experiência bastante prazerosa. E, no final, agradecemos o jornalista por ter escolhido fazer essa matéria, antes de escrever sobre a história russa.
Curta a página do blog no Facebook: https://www.facebook.com/PopWithPopcorn