As Aventuras de Peabody e Sherman

Por Gabriel Fabri

Da Nova York do século XXI a Guerra de Tróia, Egito Antigo, Revolução Francesa… É o sonho de qualquer curioso, jornalista ou historiador poder viajar ao passado e apurar se o que aconteceu de fato corresponde aos escritos nos livros. Para Sherman, todavia, essa fantasia é realidade. Ao longo dos seus sete anos de vida, ele aprendeu história voltando no tempo, literalmente. Seu pai, Sr. Peabody, magnata e vencedor de um prêmio Nobel, constriu uma máquina capaz de teletransportá-los para o passado e a utiliza com fins educativos, somente. As viagens, porém, podem se tornar perigosas, e a dupla está prestes a embarcar na mais emocionante de todas, em As Aventuras de Peabody e Sherman, dirigido por Rob Minkoff.
Como o próprio explica ao público no início da projeção, Peabody não é um pai comum: ele é, afinal, um cachorro, e dotado de muita inteligência. Quando filhote, não conseguiu ser o bichinho de estimação de nenhuma criança, pois sua retórica filosófica as assustavam. Depois de ter sua carreira consolidada, o cão adota Sherman, ainda bebê. Agora, o garoto, após percorrer grandes momentos da história, enfrentará, sem o pai, um grande desafio: o primeiro dia de aula. É quando conhece Penny, personagem que pareceria ter saído diretamente de “Meninas Malvadas”, se não fosse bem mais jovem.
Peabody, com medo de perder a custódia de seu filho após ele se envolver numa briga, chama os pais da garota para um jantar. Ai é que começam os verdadeiros problemas: Sherman revela a Penny como sabe tanto sobre história e, provocado, mostra a máquina para ela. Penny resolve ficar no Egito Antigo e logo pai e filho viajam no tempo para resgatá-la.
Com a possibilidade de levar os personagens a qualquer acontecimento histórico imaginável, As Aventuras de Peabody e Sherman se destaca por colocá-los em confusão cada vez em uma época diferente. De maneira bastante didática, explica os contextos dos episódios, tornando o longa uma experiência para as crianças aprenderem não só as lições de moral presentes em todo filme infantil, mas também um pouco do passado, mesmo que esse esteja cercado de fantasia e situações improváveis. Os pais também têm sua cota de diversão: muitas piadas e citações passarão batidas pelas crianças e estão mais direcionadas aos adultos – o filme não se atreveu a explicar o que é o Complexo de Édipo, mas fez piadinha com isso, por exemplo. Ou mesmo o rápido plano de Bethoveen dançando sua sinfonia numa máquina de dançar.
O filme ainda aborda questões sobre a maneira de educar os filhos – o garoto é superprotegido, fazendo tudo o que o pai manda, e a garota faz os pais fazerem tudo o que ela manda – e a aceitação de ter um pai “diferente”. Desde o começo, fica muito claro que Peabody é um bom pai, e que ele tem todo o direito de ser pai, apesar de isso não ser bem aceito na sociedade. Do mesmo modo, a questão do bullying por ter um pai diferente e a aceitação do menino também é discutida – o que resulta na cena mais bela (e, talvez, a mais engraçada) do filme. Peabody representa um pai que foge do que é considerado pela sociedade o modelo de família “comum”, mas e daí? E assim, ao discutir preconceitos e aceitação, o longa indiretamente toca em um ponto infelizmente ainda polêmico na atualidade, que é a questão de casais do mesmo sexo terem filhos. Diferente do padrão estabelecido há milhares de anos, mas o que isso importa, de verdade? Nada. 
As Aventuras de Peabody e Sherman resulta em um divertido filme, engraçado e espirituoso, e que deve atiçar a imaginação e a curiosidade das crianças em relação ao passado e ao presente, sem entediar os pais.
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