O Passado

Por Gabriel Fabri
Asghar Farhadi, diretor de “A Separação” (vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012), tornou-se um dos nomes mais conhecidos do cinema iraniano. Ele faz parte daquela vertente que se destaca apenas em festivais internacionais, pois suas obras geralmente são proíbidas dentro do próprio país, fato que quase aconteceu com o filme anterior. Após o reconhecimento com o prêmio mais importante do cinema americano, Farhadi vai à França se dedicar a um projeto internacional. Trata-se de “O Passado”.
Assim como em “A Separação”, a questão matrimonial também está presente nesse novo filme. O iraniano Ahmad (Ali Mosaffa) retorna a Paris para, quatro meses após se separar da esposa, assinar finalmente os papeis de divórcio. Marie (Bérénice Bejo, de “O Artista”) precisa que esse processo seja finalizado para se casar novamente, agora com o dono de uma lavanderia, Samir (Tahar Rahim). Entretanto, Marie pede ajuda a Ahmad para descobrir as causas do comportamento rebelde de sua filha mais velha, Lucie (Pauline Burlet). O que ele descobre é uma teia de segredos e meia-verdades envolvendo Samir e a tentativa de suicídio de sua atual esposa, que está no hospital em estado vegetativo.
O diretor constroi uma trama bastante simples, mas que ganha contornos intensos nas relações familiares problemáticas e nos confrontos desencadeados pelas presenças do futuro marido e do ex. Embora não aborde questões sociais a fundo ou críticas políticas, como no filme anterior, o longa se sustenta ao discutir problemas que poderiam acontecer em qualquer casamento, em qualquer parte do mundo.
Mesmo com um desenvolvimento um tanto cansativo, “O Passado” ganha muita força em seu clímax, o que pode fazer com que os espectadores saiam com a sensação de que a obra seja ainda melhor que “A Separação”. Pode até ser. Mas inquieta como a questão do estrangeiro, vinda do fato do marido ser do Irã e não de um outro país da Europa, não é trabalhada a ponto de ser justificada. Talvez esteja nos detalhes, como aquele da cena final que poucos vão perceber. Fique atento.
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