A Marca do Medo

Por Gabriel Fabri

Todo filme em que alguém é possuído por alguma entidade sobrenatural, há um cético dizendo que, na verdade, trata-se de algum distúrbio mental etc, e que fantasmas não existem. O contrário também é válido – sempre vai ter alguém dizendo que o paciente precisa de um exorcista, e não de um médico (se não for o personagem, com certeza a questão passa pela cabeça do público). “A Marca do Medo” (The Quiet Ones), dirigido por John Pogue (“Quarentena 2”), explora essa dicotomia sem trazer nada de novo ao tema, tendo como ponto “forte” apenas uma mal aproveitada atração sexual.
O professor universitário Joseph Coupland (Jared Harris) mantém uma adolescente prisioneira em sua casa, Jane Harper (Olivia Cooke). Ele está convencido de que pode curá-la do que considera ser uma espécie de distúrbio movido por “energias negativas”. Para documentar o experimento, em que conta com a ajuda de um casal de estudantes, ele contrata o jovem Brian (Sam Claflin).
A história vai se desenvolvendo de maneira muito devagar e, mesmo assim, o filme falha tanto na construção de uma atmosfera de suspense ou terror quanto no envolvimento do público com os personagens. Qualquer tentativa de assustar a plateia antes do clímax não funciona muito bem, e a direção usa ainda muito mal um velho clichê do gênero, o susto de brincadeira de um dos personagens em outro. O experimento do professor, em momento algum, convence, e o filme segue com a obsessão dele desacreditada pelo público. Mas supondo que a intenção fosse focar não o sobrenatural, mas a vontade desse cientista de estar correto na sua teoria, e mesmo assim teríamos uma situação mal construída, com um personagem mal aproveitado.
Um ponto curioso é que, com o desinteresse na possessão ou doença de Jane, ela ganha força e, consequentemente, a simpatia do público. E aí entra algo que pode ter sido involuntário, mas que foge dos clichês do gênero: você vai torcer mais por um romance do que por um exorcismo. O filme ganha quando aposta em um subtema amoroso / erótico e, talvez, poderia ser melhor se explorasse mais esse aspecto. 
O público pode se deixar levar pelo clímax, que cumpre o prometido para um filme de terror. Apesar dos clichês, é onde o filme consegue ser envolvente, mas não consegue salvar “A Marca do Medo” da lista dos menos inesquecíveis longas de terror.