Amar, Beber e Cantar


Por Gabriel Fabri

Em seu primeiro filme, o cineasta francês Alan Resnais entrou para a história do cinema com “Hiroshima, Meu Amor”. Não tardou a deixar outra marca entre os longa-metragens mais importantes com “Ano Passado em Marienbad”. Nos últimos anos de sua carreira, Resnais não deixou a inventividade de lado, produzindo obras com estilo próprio, como “Medos Privados em Lugares Públicos”, eternamente em cartaz no agora Caixa Belas Artes. Falecido em 2014, o diretor deixou uma alegre obra para finalizar o seu rico legado: trata-se de “Amar, beber e cantar“.

O filme de Resnais tenta aproximar o cinema do teatro, por meio da história de diversos atores da terceira idade que ensaiam um espetáculo. Em um primeiro momento, um casal ensaia sem que o público saiba que se trata de uma encenação (dentro da encenação cinematográfica). Entretanto, eles logo começam a discutir as falas da peça, com o roteiro na mão. Trata-se de uma atriz e seu marido, que é médico e não está feliz com a notícia de que o amigo do casal, George, está com os dias contados. Para alegrar os últimos meses do homem, ele deve integrar o elenco do espetáculo teatral. Entretanto, disputará as atenções das outras duas atrizes, e a inveja de seus respectivos maridos.  
Adaptação de uma peça de Alan Ayckbourn (o mesmo autor em que “Medos Privados” se baseou), o longa-metragem possui cenários simples, que lembram o de um  teatro amador, e concentra a sua força nos diálogos entre os seis personagens principais. Constrói-se, em torno da morte do amigo, um clima de comédia, que se sustenta pelas excelentes atuações e a trama de adultérios e paixões. 
“Amar, beber e cantar” fala sobre a recuperação na velhice da vivacidade da juventude, em tentar tornar o fim da vida tão divertido quanto o começo. Uma bela mensagem para encerrar o legado do diretor falecido aos 92 anos.  

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