À Procura

Uma trama simples e sem grandes reviravoltas pode se tornar um bom suspense nas mãos de um diretor de cinema competente. É o que acontece em À Procura, de Atom Egoyan (O Preço da Traição), filme exibido no Festival de Cannes em 2014 e que, na ocasião, teve uma péssima, e um tanto exagerada, recepção.

O longa-metragem conta a história do desaparecimento de Cassandra, uma menina de nove anos de idade, filha de Matthew (Ryan Reynolds). De maneira alienar, o público acompanha os fatos que antecederam e sucederam o sequestro. Agora, oito anos após o crime, a polícia parece chegar perto de desmascarar os criminosos, durante a investigação de uma rede de pedofilia online.

Se montado linearmente, À Procura poderia ser mais um filme policial sem grandes atrativos, desses que as séries de televisão norte-americanas superam com facilidade. Entretanto, a montagem disfarça a simplicidade da trama, deixando o espectador curioso e ligado desde o começo. Embaralhando os tempos da ação, no início do filme, a obra desperta a atenção necessária para que, quando a trama é finalmente apresentada, a entrega do público ao filme já seja total.

Apesar do começo promissor, a trama perde um pouco a sua força e tudo se resolve de maneira simplista demais. O resultado é bom, mas deixa a desejar, principalmente tendo em vista que À Procura toca em um tema delicado como a pedofilia, que poderia ter sido melhor aproveitado.

| Gabriel Fabri