Em DVD: Planeta dos Macacos: O Confronto

Na tentativa de descobrir a cura para o Alzheimer, cientistas desenvolveram no laboratório um vírus que acabou varrendo a maior parte da vida humana na Terra. Transmitida a partir dos macacos que eram cobaias nos laboratórios, a Gripe Símia mudou a cara do planeta. Dez anos após a tragédia, há pouco sinal de pessoas vivas, sendo os macacos, evoluídos, a espécie dominante. É esse o ponto de partida de Planeta dos Macacos: O Confronto, dirigido por Matt Reeves.

Vivendo presos em uma pequena cidade, como se estivessem “enjaulados”, os humanos começam a explorar o redor de São Francisco em busca de uma fonte alternativa de energia. Um grupo de pessoas, lideradas por Malcolm (Jason Clarke), sai numa expedição a uma antiga hidroelétrica. No caminho, entretanto, encontram uma comunidade de macacos que falam inglês e cavalgam, organizados em torno da figura de seu líder, César (protagonista de Planeta dos Macacos: A Origem, de 2011). Para conseguir a energia necessária e se conectar novamente com o mundo, os humanos não tem outra opção, a não ser tentar fazer com que os macacos cooperem para que a hidroelétrica seja consertada.

Um acerto da franquia Planeta dos Macacos, desde o filme original de 1968, é humanizar os animais, fazendo com que o público se identifique com esses personagens. Não é diferente nesse novo filme, que mais uma vez borra a linha que separa macacos de humanos. A obra discute o erro de achar que a sua raça é superior à outra, ao mesmo tempo em que põe em xeque a capacidade do ser humano de lidar com as diferenças, em prol de um bem comum. E tudo isso é visto na rivalidade dos macacos César e Koba, em que gira a maior parte do filme. Esse segundo Planeta dos Macacos foge da armadilha de colocar os animais em oposição aos humanos, escapando de um maniqueísmo em que facilmente poderia cair.

Se a ideia de nos colocar não mais como a raça dominante no planeta, mas como seres em desvantagem com relação aos macacos, nunca deixa de ser interessante e rica de possibilidades narrativas, o novo Planeta dos Macacos também prende a atenção pela qualidade técnica – os efeitos são impecáveis e o plano sequência no tanque de guerra, um dos truques mais inesperados e mais legais vistos nos filmes de ação recentemente – e pelo desenvolvimento do filme, que cumpre a função de entreter sem se tornar apressado ou forçado demais.

| Gabriel Fabri

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