O Amor é Estranho

Por Gabriel Fabri

Em uma determinada cena, logo no início de “O Amor é Estranho“, dirigido por Ira Sachs (“Deixe a Luz Acesa”), o diretor da escola católica em que trabalha George (Alfred Molina) comunica que o personagem foi demitido por ter se casado com Ben (John Lithgow), seu parceiro de longa data. Após dar a notícia, que desencadeia a narrativa do filme, o religioso tenta animar o ex-professor de música do colégio com a frase: “George, vamos rezar”. Esse tipo de humor, sutil e inteligente, marca esse triste e belo longa-metragem.
Se o casamento é uma instituição que configura a união eterna (ou tentativa de) de duas pessoas que se amam, em “O Amor é Estranho” ele representa justamente o contrário. Por hipocrisia de uma outra instituição, a Igreja católica, o matrimônio de George e Ben vai por água abaixo antes mesmo de começar para valer: depois de viverem anos juntos, agora com a demissão de George, o casal de idosos precisa arrumar um novo apartamento para viver. Enquanto esperam, eles se separam na casa de parentes.
Ben viverá com um casal em crise, cujo homem, que é seu sobrinho, está sempre ausente no relacionamento, e a mulher não está nada contente de abrigar o senhor. O filho do casal passa por dificuldades na adolescência, trazendo um único amigo sempre para casa, sob o qual recaem todo o tipo de suspeita dos pais. Enquanto isso, George não consegue sossego na casa onde é abrigado, sempre muito agitada, com festas e reuniões noturnas. 
O longa-metragem, co-escrito pelo brasileiro Mauricio Zacharias (“O Céu de Suelly”), mostra as dificuldades de conviver com pessoas da família, oportunidade para conhecê-las “melhor do que gostaria”; um casamento que ao invés de juntar, separou os amantes; e como o amor dos dois sobrevive a todas as dificuldades que vão surgindo na trama. 
Com um ritmo lento, “O Amor é Estranho” pode até ser um pouco cansativo, entretanto, é um de aqueles filmes que, de tão simples, mexem com o espectador de maneira profunda. O resultado é belo e melancólico.  

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