Dois Dias, Uma Noite

Por Gabriel Fabri

Sandra acaba de se curar de uma depressão e, ao retornar ao trabalho após a sua licença, descobre que a equipe na oficina mecânica em que trabalha se virou muito bem sem ela. Pior, seu chefe escolheu um jeito um tanto cruel para demiti-la: abriu uma votação para os outros 16 funcionários escolherem entre ela manter o emprego ou todos os outros receberem o bônus em dinheiro ao qual tinham direito. Dirigido pelos irmãos Jean-Pierre e  Luc Dardenne, de “O Garoto da Bicicleta”, “Dois Dias, Uma Noite” (Deux Jours, Une Nuit) rendeu uma indicação ao Oscar para Marion Cotillard, que faz o papel principal.
O filme acompanha a saga de Sandra para tentar reverter o resultado da votação, na qual 14 dos seus colegas preferiram ganhar o bônus ao invés de vê-la empregada. Ela tem um final de semana até uma nova votação, na manhã da segunda-feira, para convencer pelo menos a maioria deles a abrir mão do dinheiro.
A direção dos irmãos Dardenne preza pela simplicidade, e é comum ver a câmara estática em muitas cenas, como na primeira vez que Sandra tenta convencer alguém de abrir mão do dinheiro, por telefone. Com isso, o filme dirige a atenção ao que é realmente impressionante: a atuação soberba de Cotillard, que mantém o público vidrado o tempo todo em sua personagem. Na pele de uma mulher que acabou de sair de uma depressão (se recuperou mesmo?) e que recebe como “recompensa” essa situação humilhante, a atriz brilha. 
“Dois Dias, Uma Noite” discute os limites entre egoísmo e altruísmo; entre a difícil escolha de fazer um bem ao próximo, sabendo que você próprio será o prejudicado. O roteiro cria diversas situações diferentes a partir dessa ideia, e, com cada pessoa que a personagem de Cotillard conversa, uma pontinha de angústia é alimentada no espectador. O resultado é um filme simples, mas que vai dar o que pensar para o público. Na pele de cada um desses personagens, como você votaria?