Amor à Primeira Briga

Por Gabriel Fabri

Dirigido pelo estreante Thomas Cailley, “Amor à Primeira Briga” (Les Combattants) fez um verdadeiro strike na quinzena dos realizadores em Cannes, sendo o primeiro filme a conquistar os três prêmios do festival (Prix Label Europa Cinema, Art Cinema Award e Prix SACD). O longa-metragem, entretanto, parece supervalorizado, se sustentando apenas na cativante atuação da jovem Adèle Haenel (“Três Mundos“). 

Haenel interpreta Madeleine, uma adolescente que treina arduamente técnicas de sobrevivência e que pretende se alistar no exército, em uma das divisões mais duras. Sua garra, determinação e certeza do que quer da vida é oposta a de Arnaud (Kevin Azaïs), que, desnorteado após a morte de seu pai, assume o negócio da família, uma madeireira, com o irmão mais velho. O destino dos dois jovens se cruza em uma competição na praia, onde Arnaud trapaceia para ganhar uma briga com Madeleine, mordendo-a. É meio que uma inversão de esteriótipos: o homem sensível, a mulher durona. 
A atuação de Haenel segura a atenção ao longo do filme, imprimindo força para a sua personagem. Não à toa a atriz desbancou concorrentes pesados como Marion Cotillard, que concorria por “Dois Dias, Uma Noite“, e Juliette Binoche, que concorria por “Acima das Nuvens“: sua personagem é a alma do filme. Ponto para o trabalho da jovem.
Além de Haenel, a inversão de papeis, tendo uma personagem feminina forte, em um ambiente majoritariamente masculino como o exército, torna “Amor à Primeira Briga” um filme, felizmente, pouco convencional. O roteiro reserva ainda surpresas na condução do romance, mas o filme não consegue alçar voo, sendo o resultado uma obra que deixa um pouco a desejar. Afinal, se a atuação de Haenel convence muito, o romance entre Madeleine e Arnaud soa um tanto forçado, perdendo um pouco de seu encanto. Falta um momento que toque o espectador. Além disso, a questão da morte do pai de Arnaud, colocada na primeira cena do filme, é uma ponta solta na trama, que deveria ser melhor explorada. Como a perda e, mais ainda, o caixão vazio (pois o homem foi cremado), afeta o protagonista? É uma questão que não poderia passar batida, e passou. 

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