Club Sandwich


Por Natália Sena

Do diretor Fernando Eimbcke, o mexicano “Club Sandwich” é uma imersão ao ócio das férias e um olhar sobre o relacionamento de mães e filhos no turbulento começo da adolescência. O filme se passa durante um recesso fora de temporada da mãe solteira Paloma (Maria Renee Prudencio) e seu filho Hector (Lucio Gimenez Cacho), em um hotel simples e praticamente vazio. Com planos longos e estáticos, o diretor explora o tempo e a sua percepção pelas personagens, visivelmente entediadas em grande parte do longa-metragem.

A relação leve e fluida dos dois permite comentários furtivos, dúvidas íntimas; mas não se mostra à prova dos medos da adolescência. Hector conhece uma garota, Jazmin (Danae Reynaud Romero), que também está hospedada no hotel com sua peculiar família, constituída por um pai já idoso e sua madrasta, com quem ele se casou há apenas 6 meses. A aproximação de Hector e Jazmin explora a questão central do filme: o amadurecimento desengonçado do garoto.
Ainda com trejeitos infantis, a puberdade do menino o impele à Jázmin, que aos 15 anos já demonstra maior desenvoltura afetiva, apesar de também carregar o fardo da insegurança inerente à essa etapa da vida. A descoberta do corpo e de novos tipos de relacionamento se dá na forma dos clássicos coming-of-age, recorrentes tanto na literatura quanto no cinema americanos: o bigode que ensaia aparecer, a curiosidade sexual e, concomitante, a negação de tudo isso.
Enquanto Hector demonstra uma aparente indiferença a essas mudanças, sua mãe, jovem e descolada, lida com a dificuldade de aceitar o amadurecimento de seu filho. Em situações desconcertantes, ela tenta se aproximar da estranha e fechada família da garota, mas sem sucesso. O constrangimento é ainda maior quando Paloma tenta abordar com Hector a insurgente sexualidade.
A pedida gastronômica oficial da viagem são os club sandwiches, dando origem ao nome do filme. Banalizando a narrativa, Eimbcke chama a atenção para as sutilezas dos momentos de intimidade entre Hector e sua mãe e Hector e Jázmin; imprimindo a complexa subjetividade das relações humanas nos detalhes.