Divã a 2

Por Gabriel Fabri

Da safra mais recente do cinema nacional, poucos filmes grudaram tanto na imaginação do público quanto “Divã”, dirigido por José Alvarenga Júnior e estrelado por Lília Cabral. Ao retratar as crises de uma mulher de 40 anos, com sensibilidade e com um humor muito diferente do pastelão das comédias globais, o longa-metragem conquistou uma boa audiência e rendeu até uma série de TV. Seis anos depois, tentando pegar carona no sucesso desse filme, eis que surge “Divã a 2“, com direção de Paulo Fontenelle (de “Se puder… Dirija!”), um drama carente de atrativos.

Além do fato de retratar uma mulher em crise e que procura um psicanalista, não há qualquer ligação entre “Divã” e “Divã a 2”. O filme de Fontenelle retrata agora uma moça mais jovem, Eduarda (Vanessa Giácomo), que está com o casamento com Marcos (Rafael Infante) desmoronando e um filho pequeno para cuidar. Com o divórcio, os dois tentam recuperar o tempo e a juventude perdidos em dez anos de casamento. Paralelamente, Marcos e Eduarda desabafam para os seus respectivos terapeutas.
Bons filmes de terapia conseguem muitas vezes êxitos extraordinários, ao trabalhar bem as emoções e as contradições dos seus personagens, em um ambiente de confissão. Prova disso é a série “In Treatment”, que teve a sua versão brasileira estrelado por Selton Mello. “Divã a 2” passa longe desse sucesso, embora as cenas das terapias representem alguns dos melhores momentos do filme. 
Com roteiro fraco, que une os maiores clichês de fim de relacionamento junto com coincidências absurdas na história, como a grande reviravolta na relação de Eduarda com Leo (Marcelo Serrado), “Divã a 2” chega a ser desgastante para o espectador. A trama nunca engata e fica a sensação de que já vimos essa história milhões de vezes, contadas de maneiras mais envolventes ou criativas. Com poucos momentos para humor, alguns deles desastrados como a cena da blitz da lei seca, o longa-metragem se torna uma entediante jornada, que culmina em um final previsível. Faltam conflitos mais intensos, falta sensibilidade, faltam piadas engraçadas e faltam elementos para provocar alguma emoção no espectador. Personagens interessantes, isso tem? Também não, e talvez ai more a raiz dos problemas de “Divã a 2” – tudo é sem sal demais.

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