Segunda Chance


Por Gabriel Fabri

Depois de uma decepcionante temporada em Hollywood, com os fracos “Serena” e “Amor é Tudo o Que Você Precisa”, a dinamarquesa Susanne Bier retorna ao seu país com mais um drama forte, na linha de “Em Um Mundo Melhor”, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010. Trata-se de “Segunda Chance” (En chance til), longa-metragem que tem êxito em ser um grande soco no estômago do espectador.

Na trama, o policial Andreas (Nikolaj Coster-Waldau) invade a casa de um casal de viciados em drogas, que possuem um bebê pequeno, encontrado todo sujo dentro de um armário. A cena o sensibiliza, já que ele também tem um filho recém-nascido. Alguns dias depois, o bebê de Andreas morre de madrugada. Em choque e ao ver sua esposa Anne (Maria Bonnevie) ameaçando se matar, o policial retorna à casa do casal viciado e, sem que eles acordem, troca os bebês. 
A música inicial, os tons de cores sóbrios e a ambientação na Dinamarca já iniciam o espectador numa atmosfera densa desde o início da projeção. Entretanto, após a morte de Alexander (o filho de Andreas), o longa-metragem se transforma em uma jornada bastante desconcertante, a medida que o público vai conhecendo as consequências do “crime perfeito” do personagem, e as reviravoltas (imprevisíveis e duras) que a trama reserva. Toda essa atmosfera pesada reflete nas excelentes atuações de Coster-Waldau e Bonnevie, que lidam agora mais do que com a dor de perder um filho, mas de também ter tirado o de outro casal. 
“Segunda Chance”, um filme que parte dessa premissa criativa da troca de bebês, consegue tirar dela toda uma carga dramática muito forte e trazer muitas questões sobre até onde podemos ir quando estamos diante de um trauma do tamanho da perda de um filho. É Susanne Bier em sua melhor forma, em um longa-metragem que deve mexer e muito com o espectador. 

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