Cidades de Papel

Por Gabriel Fabri

Muito se falou sobre A Culpa é das Estrelas, bestseller de John Green que virou um filme estrelado por Shailene Woodley e Ansel Elgort. O barulho em torno de Cidades de Papel, adaptação de outro romance de Green, não chegou – por enquanto – perto da comoção que gerou a história do casal de adolescentes com câncer, que tiveram um “para sempre em um número finito de dias”. Uma pena, pois Cidades de Papel é um romance muito mais interessante. E a sua adaptação tem exito, resultando em um divertido retrato da juventude – e não só dela – nos dias de hoje.

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  • Quentin (Nat Wolff) e Margo (Cara Delevingne) são vizinhos desde criança. Eram amigos, mas se afastaram na adolescência. Ela virou a menina mais popular do colégio, ele é o típico garoto nerd, que não se dá bem com as garotas, pelo menos não sexualmente, não vai em festas e não tem um carro. Tudo parece mudar quando Margo aparece um dia de madrugada na janela de Quentin, com uma proposta: ela irá, antes do sol nascer, realizar nove tarefas, e precisa que o garoto seja o seu motorista de fuga. No dia seguinte a essa aventura, Quentin imagina que nada será como antes. Ele está certo, mas não do jeito que gostaria: Margo desapareceu. Mas, aparentemente, deixou pistas para encontrá-la. 
    Dirigido por Jake Schreier, Cidades de Papel enxuga as inquietações de Quentin e todas as suas tentativas frustadas de encontrar a vizinha, simplificando um pouco a história. Um ponto positivo para o filme, que resolve priorizar e aprofundar o momento que o livro tinha de melhor, a road trip para encontrar Margo, e a relação de Quentin com os seus dois melhores amigos: Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith). Esses dois coadjuvantes, aliás, roubam a cena em muitas sequências do filme, e trazem um alívio cômico para a história. 
    Cidades de Papel fala sobre um monte de questões, de uma maneira leve e envolvente. A principal delas é sobre aparência – como Quentin pode ser um “ninja”, ou um “herói”, mesmo sendo um adolescente desajeitado; como Lacey é mais que um rostinho bonito, e ninguém vê isso; como a turma dos “excluídos” pode ser descolada; e, por fim, como tantas pessoas criaram uma ideia na cabeça de uma Margo que não existia. Mas o filme ainda fala sobre coisas mais profundas como amizade e transições, como em um questionamento de Margo, logo no início da projeção, que é mais ou menos assim: “você vai se formar, casar, ter filhos e daqui a uns dez anos é que você vai ser feliz? Nunca ouvi algo tão triste”. 
    Uma outra frase do filme sintetiza bem Cidades de Papel, dizendo que, no final do colégio, quando todos estão fazendo as coisas pela última vez, esses personagens estão fazendo tudo pela primeira vez. O que mostra que o longa-metragem pode até ser adolescente demais, ou convencional demais, mas isso não importa tanto, pois a história tem bastante conteúdo. O filme é bom, mudando para melhor alguns aspectos da obra original, mesmo que ainda assim tente encaixar detalhes demais do livro às vezes, que soam desnecessários. Mas, só por ter acrescentado a hilária cena envolvendo a canção de Pokemon, já deve agradar, mas também surpreender, os fãs do romance.  

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