Jogada de Mestre

Por Gabriel Fabri

O sequestro que, até então, pediu o maior valor para um resgate já pago. O dinheiro, 35 milhões de dólares, que hoje, mais de trinta anos depois, ainda não foi recuperado por inteiro. Isso não significou que o crime, realizado por um grupo de cinco amigos, todos amadores se tratando de sequestros, tenha sido bem sucedido ou, tampouco, uma “Jogada de Mestre” (“Kidnapping Mr. Heineken”), como afirma o irônico título nacional do filme dirigido por Daniel Alfredson, diretor dos últimos dois filmes da trilogia sueca “Millennium”. 

O longa-metragem conta a história do sequestro do presidente da marca de cerveja Heineken, ocorrido em Amsterdam no ano de 1982. Um grupo de jovens se dá conta de que não possuem mais nada de valor na vida do que a sua liberdade e resolve apostá-la nesse sequestro – uma aposta bastante alta para um bando de principiantes no mundo do crime. Logo, eles descobrem que o mais difícil não era roubar um banco ou sequestrar um dos homens mais ricos do mundo – e sim, o que fazer quando não há mais volta, com o milionário, interpretado por Anthony Hopkins, em cativeiro. 
“Jogada de Mestre” tem um desempenho satisfatório na condução da história, que consegue segurar a atenção do espectador, mesmo com o roteiro e personagens fracos. Os conflitos entre os sequestradores parecem batidos, não empolgam muito, principalmente pois fica difícil criar alguma empatia com eles – são muitos personagens, todos parecidos e pouco interessantes. O personagem mais marcante ali é mesmo a vítima do sequestro, mas mesmo com um ator experiente como Hopkins, a melhor cena dele são alguns instigantes flashes na abertura. O filme diverte, mas, ao final, o envolvimento é tanto que pouco importa quem vai se safar ou não desse crime mirabolante.  Faltou um tempero.
Um diferencial, entretanto, é que em “Jogada de Mestre” o público não acompanha a investigação da polícia sobre o caso. Enxerga tudo, portanto, da perspectiva dos criminosos. Por isso, seria tão importante que os sequestradores fossem melhor trabalhados nesse longa-metragem. Criar confusão por causa de uma folha de papel em uma copiadora, por exemplo, é fraco demais para um filme “de mestre”. 

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