Gemma Bovery: A Vida Imita a Arte

Por Gabriel Fabri

Quando publicado em 1857, o romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert, causou muita polêmica ao tratar do tema do adultério. Imortalizado nos cinemas no ano de 1991, na adaptação de Claude Chabrol estrelada por Isabelle Huppert, o livro ganha agora uma curioso homenagem nas mãos da diretora Anne Fontaine (A Garota de Mônaco).

Em Gemma Bovery: A Vida Imita a Arte, baseado por sua vez na graphic novel de Posy Simonds, Fabrice Luchini interpreta Martin, um velho padeiro aficionado por livros. Quando Gemma Bovery (Gemma Arterton) chega de Londres à Normandia, ele não consegue parar de pensar na coincidência de que uma jovem com o nome muito próximo a Emma Bovary, personagem título do romance de Flaubert, venha viver na mesma cidade em que o escritor escreveu a sua hoje cultuada obra. Martin fica fascinado por ela e começa a fazer todas as conexões possíveis entre a mulher e a personagem.
Com leveza e bom humor, Gemma Bovery aborda temas semelhantes ao romance que o inspirou, como o adultério e a felicidade da mulher no casamento, mas acrescenta, nessa história de muitos amores, o olhar curioso do padeiro – que vive uma vida de monotonia como a da personagem de Flaubert e, podemos deduzir, quer tanto que a vida imite a arte pois quer ter também um amante, no caso, a garota. Fazendo todos os tipos de comparações malucas ao livro de Flaubert, o personagem traz um frescor à história. Mas é a encantadora e sensual Gemma quem rouba a atenção nesse filme, segurando a atenção do espectador no personagem até o final. 

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