Sexo, Amor e Terapia

Por Gabriel Fabri

Tão certo quanto a afirmação de que sexo vende é a de que uma história sobre viciados em sexo, ou qualquer outra narrativa que envolva sexo, tem a seu favor tocar no tabu mais hipócrita, e mais gostoso, dos nossos tempos. A comédia francesa Sexo, Amor e Terapia, dirigida por Tonie Marshall, aborda o assunto de maneira descontraída, mas, infelizmente, exagerada.

A premissa é interessante: Lambert (Patrick Bruel) é um viciado em sexo que está há muito tempo em abstinência. Como parte de sua recuperação, ele trabalha como terapeuta de casais com a sua irmã. Ela precisa às pressas fazer uma viagem para cuidar de um parente doente, deixando Lambert sozinho no escritório, com a missão de escolher uma assistente. Demitida do seu último emprego por transar com todos os seus clientes, Judith (Sophie Marceau) mente ter estudado psicologia para se candidatar à vaga. A atração entre os dois é instantânea, entretanto, o homem está empenhado em manter a sua abstinência e o seu profissionalismo intactos. Ao contratá-la, os dois irão juntos aconselhar os mais diversos casais, tentando não deixar o tesão tomar conta de sua relação. 
Com algumas boas risadas, Sexo, Amor e Terapia peca pelos exageros da sua personagem principal. Judith é uma caricatura, tudo em sua personagem exala sexo, como se a mulher não soubesse fazer ou pensar em outra coisa. Fica difícil acreditar em algo tão exagerado e simplório. Enquanto Lambert faz o papel de bom moço, intelectual e controlado, Judith representa o esteriótipo da “puta”, sem tirar nem por. Ao redor de homens quase perfeitos – Lambert é viciado em sexo, mas é o “coitadinho” da história -, a personagem de Sophie Marceau perde ainda mais força e complexidade. 
Personagens coadjuvantes, como a mãe de Lambert ou um casal que estava esperando o casamento para fazer sexo, roubam a cena e são o ponto alto do filme, que tem um resultado bastante irregular. 

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