A Possessão do Mal


Por Gabriel Fabri

Após o sucesso das séries Atividade Paranormal e Rec, os filmes de terror de baixo orçamento ganharam uma “nova” tendência: filmar parecendo um documentário. Recentemente, o fraquíssimo A Forca fez o mesmo, e agora A Possessão do Mal (The Possession of Michael King) não foge a essa regra, embora a ideia inicial fosse justamente brincar com esse novo clichê do gênero. 
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  • Após a morte de sua esposa, Michael King (Shane Johnson) resolve provar para o mundo que Deus e o diabo não existem. O falecimento dela, afinal, teria sido evitado se uma cartomante não tivesse lido que a mulher ganharia uma oportunidade de trabalho. Por conta da previsão, os dois, e sua filha pequena, cancelaram uma viagem. Determinado a provar para o mundo que religião e superstição são uma farsa, para que outras pessoas não morram por conta de suas crenças, King resolve montar um documentário nos moldes de Atividade Paranormal: instala câmeras por toda a sua casa e filma sua rotina, enquanto se submete a todo tipo de ritual satânico e magia negra, crente de que nada lhe acontecerá. 
    Se a premissa parecia original, o mesmo não pode se dizer do filme como um todo. Sem entrar em detalhes sobre qualquer mitologia a respeito de demônios, Michael King se vê simplesmente infernizado por um demônio qualquer. Não há espaço para a dúvida se ele está mesmo sendo possuído ou se simplesmente está ficando louco. Moscas andando pelo corpo, pássaros batendo nas janelas, algumas brincadeiras com as câmeras. Sem qualquer grau de sofisticação, o longa-metragem aposta em sustos fáceis e falha na construção do suspense – de modo que o público deve torcer aos poucos para que o protagonista morra logo e o filme acabe, ao invés de sofrer com o drama do personagem e temer pela sua vida. 
    O final é bom, mas isso não basta. Mesmo quem adora ir ao cinema para tomar uns sustos gratuitos, deve se decepcionar. Afinal, A Possessão do Mal não provoca medo e, além disso, não faz o menor esforço para ser interessante. 

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