Respire

282815.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx

Charlie (Joséphine Japy) é uma adolescente tímida, que guarda para si o segredo de que é virgem. Ela rapidamente se torna amiga de Sarah (Lou de Laage), garota que acaba de chegar na França, após supostamente passar alguns anos com a mãe na Argélia. Exibido na semana da crítica do Festival de Cannes, Respire, de Mélanie Laurent, foca na relação dessas duas mulheres, que não tarda a se tornar intensa demais.

O longa-metragem constrói com paciência o relacionamento entre Charlie e Sarah. O desenvolvimento lento dessa história é bem sucedido, uma vez que consegue mostrar o quão complicado uma amizade pode se tornar. As duas garotas se desentendem: o motivo, uma soma de pequenos gestos que machucam, mas que para uma não parece grande coisa, como chamar a outra de “colega”, ao invés de “amiga” ou, quem sabe. algo mais. A amizade de Charlie e Sarah é permeada pelo erotismo – a inocência da primeira e a rebeldia e a sensualidade da outra gera uma boa química, que as atrizes conseguem captar brilhantemente. As duas conquistam, cada uma a sua maneira, o espectador, que se vê inserido numa relação que parece ser simples demais – mas não é.
Respire provoca uma reflexão interessante, deixando várias pontas abertas. A obra aponta o quão frágeis são essas relações de amizade – facilmente, elas podem se desmoronar, sem que a intensidade dos sentimentos diminuam. E assim, o filme retoma uma questão que aparece logo no início da projeção: quando estamos apaixonados, somos mais livres ou menos? A linha que separa amizade e paixão aqui é tênue, e isso é o mais interessante em Respire, que deve deixar o espectador bastante transtornado com o seu final (sem dúvidas, o ponto alto do filme).
Gabriel Fabri