Um Amor a Cada Esquina

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Em um breve momento nonsense, Arnold (Owen Wilson) e sua esposa (Kathryn Hahn) discutem a sua relação em um táxi. O taxista, após rodar meio quarteirão, abandona sem mais nem menos o próprio carro no meio da rua e pega carona em um outro táxi, deixando o casal sozinho. Esse não é, entretanto, o momento mais inacreditável da comédia Um Amor a Cada Esquina (She’s Funny That Way), de Peter Bogdanovich. O longa-metragem provoca humor a partir de um leque de personagens que se cruzam de maneira que, se fosse na vida real, ninguém acreditaria. Entretanto, essa é a graça do filme.

O longa-metragem começa com uma entrevista de Izzy (Imogen Poots), ocasião em que ela iria contar a história de sua vida, a partir do dia em que conheceu Arnold, um diretor teatral. Na época, a garota trabalhava como acompanhante de luxo e, após realizar um programa com Arnold, este lhe dá trinta mil dólares para que ela siga os seus sonhos e abandone o mundo da prostituição. O problema é que ela aceita a proposta e, no dia seguinte, vai a uma audição para um papel na Broadway – de um espetáculo dirigido justamente pelo “homem que mudou a sua vida” e com a esposa dele no elenco. Como os outros personagens se encaixam nessa salada, como o de Jennifer Aniston (divertidíssima, por sinal), melhor deixar a surpresa para o espectador.
Na cena inicial, a personagem de Imogen já deixa claro que a história de Um Amor a Cada Esquina será um tanto fantasiosa, como um conto de fadas. Ela diz acreditar em finais felizes e nas histórias glamourosas dos anos de ouro de Hollywood, e até “aumenta um ponto” ao falar sobre as fofocas dos atores de cinema. O que a sua história teria de diferente é que o príncipe encantado era um homem comum, e não alguém em um cavalo. Mas se só por essa trama do homem com trinta mil dólares e o reencontro na audição já poderiam tornar a história do longa-metragem de Bogdanovich uma daquelas “que só acontecem em filmes”, a obra vai muito além disso e exagera nas “coincidências”, como colocar todos os personagens do longa-metragem indo sem querer no mesmo restaurante italiano, em uma cena hilária.
Com uma sequência de situações absurdas, que garantem humor para a trama, Um Amor a Cada Esquina conquista o espectador. O interessante, porém, é pensar no que o filme nos diz sobre o cinema e sobre a vida: o mundo é um lugar pequeno, sim. Mas a nossa imaginação, não. E essa história, Izzy conduz tão despretensiosamente que não importa o quão inacreditável ela possa ser, ela fica crível. Por que, afinal, quem nunca viveu algo e pensou: “se isso fosse um filme, eu não iria acreditar”?
Gabriel Fabri

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