Festival Bruce Lee 75: O Voo do Dragão

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Cineasta, estrela de cinema e até fundador de uma arte marcial própria (a Jeet Kune Do), o californiano Bruce Lee, que completaria 75 anos de vida em 2015, ganha uma retrospectiva com quatro dos seus mais representativos filmes: o Festival Bruce Lee 75, que chega ao Espaço de Cinema em oito capitais brasileiras a partir do dia 26 de novembro.
Entre os filmes escolhidos, está O Voo do Dragão, de 1972. Foi o primeiro longa-metragem em que Bruce Lee, além de atuar, cuidou do roteiro, da direção do filme e da coreografia das lutas. É também a obra que abriu as portas para o ator seguir carreira internacional: seu filme seguinte, Operação Dragão, foi coproduzido por um dos maiores estúdios de Hollywood, a Warner Bros. Este foi, entretanto, o último filme de Bruce Lee: o astro morreu dias antes da estreia, deixando incompleto o filme sucessor, O Jogo da Morte, lançado em 1978.
Em O Voo do Dragão, Lee interpreta Tang Lung, um jovem do campo, morador de Hong Kong, que chega á Itália para ajudar Cheng Ching Hua (Nora Miao) a manter o seu restaurante. A proprietária tem sido coagida a vender o estabelecimento para a máfia italiana, que controla toda a região. Lung, então, mostrará que a melhor saída é enfrentar os gangsters, com todos os seus passos de kung fu. Mas diante dos talentos do jovem chinês, a máfia não vai deixar barato, pedindo reforço a Colt (interpretado pelo norte-americano Chuck Norris, outro mestre nas artes marciais, visto recentemente em Os Mercenários 2). No clímax do filme, Lee e Norris travam uma luta no Coliseu romano.
Mais de quarenta anos depois de sua estreia, O Voo do Dragão soa ainda bastante atual e continua entretendo, com muita ação e humor. É um clássico dos filmes de kung fu, e quem não está acostumado com eles pode estranhar apenas as caras e bocas bizarras dos personagens ao lutar. Mas entretém bastante, e é um filme que vale a pena conhecer.
O longa, entretanto, não é perfeito. Para que serve a personagem da prostituta (Malisa Longo), que aparece em uma memorável sequência, mas que depois não reaparece no filme? Mostra a falta de jeito de Jung com as mulheres, um detalhe importante, e é engraçada, sim, mas impossível não ficar se perguntando porquê ela não cruza novamente o caminho do protagonista nenhuma vez. Parece uma oportunidade desperdiçada. Além disso, há uma reviravolta completamente sem propósito no clímax, referente a um dos coadjuvantes – cá entre nós, o personagem em questão é irrelevante para a trama e as suas motivações no final são mal explicadas, soando forçadas. Tal como a cena inicial, com o personagem de Bruce Lee derrubando um sorvete de um garoto. Uma sequência muito estranha, como se o filme estivesse, no fundo, convidando o público a não gostar de seu herói, esse que, por outro lado, é meio idealizado ao longo de todo o resto da projeção.
No festival, além de O Voo do Dragão, são exibidos também: O Dragão Chinês (1971), A Fúria do Dragão (1972) e Jogo da Morte (1978), além do documentário Bruce Lee em suas próprias palavras, de John Little. As sessões vão até o dia 2 de dezembro.

| Gabriel Fabri

 

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