Rihanna – ANTi

Uma das cantoras mais influentes da atualidade, Rihanna lançou gratuitamente o seu novo álbum ANTi após uma longa novela. Acostumada a lançar um álbum novo por ano (período de 2009 a 2012), e por eles colecionar hit atrás de hit, a cantora de Barbados lançou seu novo CD após um hiato de mais de três anos – e um ano após lançar a sua parceria com Kanye West e Paul McCartney, “FourFiveSeconds”, que atiçou as curiosidades para o novo álbum.

Sem incluir nenhuma das canções lançadas ano passado (“Bitch Betta Have My Money” e “American Oxygen” completam a lista), ANTi chegou na internet mais de três meses após o seu anúncio oficial, em outubro. Apesar dos singles não fazerem parte da tracklist, eles foram uma boa prévia do que estava por vir em ANTi: um álbum menos pop, com mais hip hop e reggae.
O resultado perfeito dessa combinação, que já foi explorada anteriormente por Rihanna em “Man Down”, por exemplo, é a faixa que abre o álbum, “Consideration“. Com letra feminista e participação da cantora SZA, a canção é deliciosa de ouvir.
Essa é a primeira vez que Rihanna não lança um novo CD com uma estrondosa canção pop como single desde Rated R, em 2009, quando ela lançou a obscura “Russian Roulette”. E, apesar do sucesso de “Work” na sua semana de lançamento, a parceria com o rapper Drake está longe de ser uma joia como “We Found Love ou “Diamonds. Entretanto, é uma das melhores músicas do CD, seguindo a mesma pegada de “Consideration”. É o ponto alto do novo trabalho.

Outros destaques do CD são “Kiss It Better” e “Love On The Brain“. A primeira é a única faixa pop do álbum e melhora a cada audição – tem um refrão sexy (em contraste com as outras estrofes, mais fortes) e uma presença suave de guitarra, que dá um charme a mais para a música. Já a outra é uma canção que lembra as divas do jazz, aproximando Rihanna do estilo da Lana Del Rey. Bela e melancólica, é uma balada bem diferente das que a cantora está acostumada a fazer. Muito provavelmente, uma dessas duas canções serão as escolhidas para o próximo single do álbum. São as que têm potencial.

O resto do álbum, entretanto, não tem brilho. São três interludes desnecessários, um cover sonolento (a canção “Same Ol’ Mistakes” é uma regravação de “New Person, Same Old Mistakes” da banda australiana Tame Impala) e uma série de canções esquecíveis. Das músicas restantes, só se salva a deliciosa “Never Ending“, balada com pegada meio indie.

ANTi é o álbum mais experimental de Rihanna e é louvável que a cantora queira se arriscar mais do que o normal – abrindo mão de canções escritas por Sia e Charlie XCX, produzidas por Ne-Yo, Kanye West ou Calvin Harris, por exemplo. Talvez ela conquiste até novos fãs com o novo trabalho, entretanto, Rihanna ficou underground demais nesse CD. Aconteceu o que se temia: as músicas mais legais de ANTi estão em This Is Acting, da Sia (“Cheap Thrlls” e “Reaper”). É, era melhor ter continuado com as parcerias que davam certo.

| Gabriel Fabri

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