O Quarto de Jack

Jack (Jacob Tremblay) é um menino sonhador que acaba de completar cinco anos. Tudo o que ele conhece do mundo ele viu pela televisão, que acredita ser algo mágico – o garoto não sabe que existem de verdade outras pessoas além de sua mãe, Joy (Brie Larson), e o misterioso “old Nick” (Sean Bridges). Ele imagina que pode falar com ETs pelo duto de ar e que o seu longo cabelo seja a fonte de sua super força – ele só não entende porque não pode ter uma vela no seu bolo de aniversário, se Nick traz coisas todas as noites, enquanto ele fica trancado no armário, tentando pegar no sono. Preso 24 horas por dia em um quarto com a sua mãe, Jack precisará enfrentar a verdade a respeito de sua vida e de tudo o que acredita quando Joy lhe contar um segredo.

Dirigido por Lenny Abrahamson (Frank), O Quarto de Jack (Room) é um drama simples, mas comovente. O roteiro acerta ao ir revelando, aos poucos, a situação de Joy e Jack, mostrando o cotidiano deles no Quarto, com foco nos sonhos e na ingenuidade da criança. Muitos closes exploram o ambiente claustrofóbico, enquanto o público indaga o que eles estão fazendo ali, quem é esse tal de Nick, porque Joy não sai para trabalhar ou porque Jack nunca teve um corte de cabelo.

Partindo de uma premissa criativa, O Quarto de Jack soa bastante original e tem como destaque as ótimas atuações da dupla principal. Embora seja Brie Larson quem esteja levando – merecidamente – todos os prêmios por sua delicada atuação (o Oscar de Melhor Atriz para ela é uma das poucas certezas da premiação neste ano), Tremblay brilha na tela e quase a ofusca em alguns momentos.

Ao final da primeira parte do filme, o público com certeza já vai estar emocionado. O que vem a seguir, seria imprudente revelar, mas é surpreendente que o longa-metragem fique mais frio, e ainda mais duro. É como crescer: a magia some, junto com a ingenuidade. Se no começo o diretor estava construindo uma história emocionante, de tocar o coração, em seguida ele seca as lágrimas do espectador – apenas para lhe dar um tapa na cara, que vai atingindo a audiência aos poucos, como se fosse em câmera lenta. O filme – e a vida – ficam mais claustrofóbicos. Mas há beleza nisso, como há nesse longa-metragem, ou como havia, curiosamente, no Quarto.

| Gabriel Fabri