Tudo Vai Ficar Bem

Após dirigir os documentários O Sal da Terra, sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, e Pina, filme em 3D sobre a dançarina Pina Bausch, o diretor alemão Wim Wenders retorna ao mundo da ficção com Tudo Vai Ficar Bem. Diretor de clássicos como Asas do Desejo, O Amigo Americano e Paris, Texas,  Wenders reúne um elenco de grandes nomes da atualidade para discutir a superação após uma tragédia.

Tomas (James Franco), um escritor infeliz, quase atropela uma criança ao voltar para a casa da namorada, Sara (Rachael McAdams). É o que ele pensa, ao ver o garotinho intacto após o susto. Após acompanhar Christopher até a casa da mãe do menino, Kate (Charlotte Gainsbourg), é que ele se dá conta de que, na verdade, atropelou uma outra criança – o irmão de Christopher.  O longa-metragem então acompanha ao longo dos anos a superação desse episódio na vida dos personagens.

Wenders conduz a história com delicadeza, trabalhando bem a emoção dos personagens. Com uma bela fotografia, o longa-metragem tem os seus pontos positivos. Entretanto, o problema é o roteiro, com enredo pouco inspirado, sem grandes conflitos, e muitos saltos no tempo, que soam um tanto forçados demais. Como se lida com o fato de que você matou uma criança, mesmo que por acidente? O personagem de Franco faz isso virando um escritor de ainda mais sucesso. A sua relação com a mãe da vítima poderia ser muito melhor explorada, se o longa-metragem pelo menos flertasse com a ideia de que havia uma tensão sexual ali para ser explorada. Aqui haveria algo de substancioso para que o filme saísse da mediocridade.

Vale ressaltar que algumas opções de câmera soam estranhas, como na cena final, onde Wenders brinca com o foco, aparentemente sem propósito algum. Esse é o decepcionante desfecho do filme, uma brincadeira em um close-up na cara de James Franco, após o clímax prometer um conflito interessante e sair, no final, pela tangente.

Ao contrário de sua estreia no Festival de Berlim, o longa-metragem não será exibido em 3D no Brasil, como foi concebido. Mas é estranho pensar em como o 3D pode acrescentar em um drama tão convencional como Tudo Vai Ficar Bem. Há toda uma sequência no parque de diversões que talvez ficasse interessante com esse recurso, mas, de um jeito ou de outro, só ofuscaria o fato de que Wenders não tinha uma boa história na mão. Acontece.

| Gabriel Fabri