O Caseiro

Uma casa assombrada por espíritos é tema do aterrorizante Invocação do Mal 2, que estreou em junho no topo das bilheterias brasileiras. O gênero do terror, que sempre cai bem com baixos orçamentos, tem o seu público no mundo todo, e  no Brasil não seria diferente. Nos últimos anos, observa-se, na margem do cinema brasileiro, produções pequenas apostando no gênero. Trabalhar Cansa, de Marco Dutra e Juliana Rojas; O Amuleto, de Jeferson Dê; Eu Nunca, de Kauê Telloli; e Quando Eu Era Vivo, de Marco Dutra, são alguns dos exemplos mais recentes.  Os amantes de filmes de terror muito provavelmente não ouviram falar desses filmes, infelizmente. Mas agora, há uma nova oportunidade de prestigiar o terror nacional nos cinemas: O Caseiro, de Julio Santi.

A história também é de uma casa assombrada por um espírito, mas não espere cadeiras se mexendo ou controles remotos saindo do lugar, como no novo longa-metragem de James Wan. Na trama de O Caseiro, o professor universitário Davi (Bruno Garcia), autor de um livro psicologia do sobrenatural, garante que fantasmas não existem. A pedido de uma aluna, ele viaja até uma casa de campo para investigar por que (ou por quem) a menina Júlia está sendo agredida durante as madrugadas. Suspeita-se que seja o fantasma de um caseiro, que teria se suicidado ali há 40 anos. Entretanto, Davi acredita que Rubens (Leopoldo Pacheco), o pai da menina, esteja por trás das agressões.

Não há nada muito original no enredo de O Caseiro, nem em suas reviravoltas. É um simples conto de horror, mas o filme consegue criar a atmosfera de suspense necessária para que o público embarque na história e sinta, no clímax, aquele frio na barriga que apenas os melhores filmes do gênero conseguem provocar. O roteiro trabalha bem a dúvida entre a existência ou não do fantasma, e, assim, o espectador é levado a pensar quem é o culpado por trás de tudo aquilo. A resposta pode aparecer um tanto sem sentido ao final da projeção – e de fato é algo que soa meio forçado demais – mas, dessa maneira, o filme convida o espectador a ativar a memória e lembrar de pistas que estavam lá em cena o tempo todo. Vale a pena dar uma chance para esse filme.

| Gabriel Fabri