Mercuriales

Dois prédios comerciais em uma metrópole francesa, os Mercuriales, podem guardar muitas histórias. Um novo segurança é orientado a ficar de olho no telhado, uma vez que, caso alguém tente se matar, a seguradora iria cair matando na empresa. Nesses dois edifícios, muitas pessoas trabalham – entre eles, imigrantes, que vão para a França em busca de uma nova vida. O que eles encontram, porém, é mais ou menos o que o público que assistir a Mercuriales, longa-metragem de Virgil Vernier, vai encontrar: um cotidiano de tédio sem fim e uma vida em que falta um sentido para continuar seguindo em frente.

O filme foca em duas garotas, Joane (Philippine Stindel) e Lisa (Ana Neborac), uma do Leste Europeu, a outra dos subúrbios de Paris. As duas se encontram a partir do trabalho nas torres que dão nome ao longa-metragem, e desenvolvem uma amizade. Acompanhamos o desenvolvimento dessa relação – do momento inicial, em que as duas vão dividir a mesma cama, e se trocam de costas uma para a outra, até quando a cumplicidade é tanta que que as duas fazem xixi juntas na banheira.

Nada acontece em Mercuriales. O diretor aqui parece mais interessado em explorar as dificuldades do dia-a-dia de suas personagens, jovens comuns e desiludidas (uma delas é uma dançarina que não dança), do que contar uma história. Há uma ida a um clube de strip-tease, uma conversa com uma coruja, o casamento da colega de quarto que achou “O homem perfeito”, um confronto com um amigo muçulmano que não esconde o desconforto com as roupas decotadas das garotas etc. Para dar um charme, há uma narração que tenta dar um quê de conto de fadas, misturado com um papo sobre planetas. É um filme experimental que pouco experimenta, deliberadamente banal, com roteiro sem sal. Um olhar para a geração do subempregos poderia ser interessante, mas resulta em uma longa enrolação, em suma.

| Gabriel Fabri  

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