Animais Fantásticos e Onde Habitam

Após o fim da franquia Harry Potter, os estúdios de Hollywood não encontraram, na literatura, uma saga à altura das aventuras do menino bruxo para ser a nova galinha de ouro dos estúdios. A única franquia que chegou perto do fenômeno da série escrita por J.K Rowling foi Jogos Vorazes, encerrada após quatro filmes. Mesmo assim, foi com certo espanto que surgiu a notícia de que o spin-off de Harry já tinha não uma, mas quatro continuações encomendadas. Trata-se de Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them), baseado no livro de mesmo nome escrito por Rowling sob pseudônimo de Newt Scamander. Dessa enciclopédia sobre animais mágicos do universo de Harry Potter surge a história do filme dirigido por David Yates (diretor dos últimos quatro Harry Potter, de A Ordem da Fênix em diante) e que conta a história de Scamander, o suposto autor do livro publicado por Rowling, roteirista e produtora do longa-metragem.

Na trama, Scamander (Eddie Redmayne, vencedor do Oscar por A Teoria de Tudo) viaja de Londres a Nova Iorque com uma maleta cheia de animais fantásticos. Ele sabe que é proibido na cidade andar com essas criaturas e acaba entrando em apuros quando uma delas foge em um banco, onde conhece o “trouxa” (quem não é bruxo) Jacob (Dan Fogler), um senhor que sonha em abrir uma padaria e abandonar o trabalho em uma fábrica de enlatados. De lá, Newt é levado para uma instituição por Tina (Katherine Waterston), que quer prendê-lo pela confusão no banco. Entretanto, ela não é levada a sério quando o garoto abre a mala e, bom, basta dizer que ela é o sinal de que a aventura de Scamander para recuperar todos os seus animais fantásticos está apenas começando. A essa jornada, soma-se a bruxa Queenie (Alison Sudol), irmã de Tina que tem o dom de ler pensamentos.

Fugindo do tom sombrio que caracterizou a franquia Harry Potter após O Prisioneiro de Azkaban, o terceiro da série, Animais Fantásticos e Onde Habitam é uma aventura espirituosa e bastante despretensiosa em termos narrativos. Com o personagem de Jacob, o único “trouxa” da turma, o filme garante boas doses de humor e também o usa como um artifício para (re)introduzir ao público o universo mágico da série. Como ele é todo desajeitado, lembrando um pouco as comédias mudas como O Gordo e O Magro, o interesse dele em Queenie, que pode ler seus pensamentos, também entretém. Além disso, Yates sabe como fazer uma boa aventura, e aqui não decepciona: o grupo encontra vários apuros pela frente, resolvidos com muita magia e criatividade.

É o mais infantil da série Harry Potter, mas isso não torna Animais Fantásticos e Onde Habitam um filme ruim. Pelo contrário: é uma aventura divertida e que deve agradar aos fãs da franquia. Mas não deixa um gostinho de “quero mais” como cada um dos outros Harry Potter. O estúdio terá que trabalhar muito mais o vilão, aqui brevemente introduzido na interpretação de Colin Firth, para criar algo do tamanho épico como o daquela briga entre o “menino que sobreviveu” e “aquele que não deve ser nomeado”.

| Gabriel Fabri