xXx: Reativado

Um recrutador da agência de segurança do governo norte-americano, interpretado novamente por Samuel L. Jackson, encontra um possível novo herói para salvar o mundo em um café: Neymar Júnior, jogador de futebol da seleção brasileira. A cena, tão brega que beira o ridículo, abre xXx: Reativado (xXx: The Return of Xander Cage) dando o tom que o diretor D. J. Caruso quer imprimir ao filme (e tem êxito nessa missão): uma paródia de si mesmo, em que os clichês de sempre dão as caras com a plena consciência do que são e sem a pretensão de ser mais do que é. Se o cinema de ação de Hollywood é marcado pelo exagero, esse extrapola deliberadamente os limites que o mínimo de verossimilhança impõe.

A história é simples: um dispositivo que controla todos os satélites do mundo foi criado e está nas mãos de algum inimigo com planos de controlar o mundo. Para essa missão impossível, é recrutado Xander Cage (Vin Diesel), um bad boy que estava tido como morto. Ele rejeita a equipe de inteligência do governo, com exceção da nerd (mas ousada!) Rebecca (Nina Dobrev, da série The Vampire Diaries), e recruta ele mesmo um time de delinquentes para salvar o mundo. Lembrou de Esquadrão Suicida? A premissa é a mesma, embora aqui não tenha um vilão marcante como o Coringa e uma heroína tão interessante quanto a Arlequina.

Se o filme fosse para ser levado a sério, xXx poderia já ser considerado um dos piores do ano. Mas, como a cena inicial deixa claro, e essa impressão não cessa ao longo da projeção, o longa-metragem foi feito para ser assim mesmo: exagero até extrapolar todos os limites aceitáveis, coadjuvantes desnecessários para não atrapalhar o brilho do herói-machão, uma grande reviravolta previsível apenas para providenciar mais cenas de ação mirabolantes.

xXx: Reativado é um filme divertido, sem grandes pretensões. Como o próprio Vin Diesel já afirmou, o ator fez esse filme para se divertir, então imagine uma equipe trabalhando para fazer um filme “de zoeira”. É isso que o longa-metragem é. Uma zoeira com Hollywood, com os filmes de ação, com todos os seus clichês, com os seus heróis e com seu excesso de testosterona. Por não se levar a sério, o longa-metragem conquista o público, e mesmo quando beira ou extrapola o ridículo, parece estar sempre ciente disso.

| Gabriel Fabri   

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