O Chamado 3

Mais de uma década depois do segundo O Chamado, estrelado por Naomi Watts, a fita de vídeo que mata a pessoa que a assiste, depois de sete dias, faz novas vítimas em O Chamado 3 (Rings). Dirigido por F. Javier Gutiérrez, o longa-metragem falha por completo na missão de renovar a franquia, ao entregar um terror sem sal e sem personalidade, que não funciona sequer para criar uma atmosfera de suspense razoavelmente eficaz.  O pior é que a premissa tinha tudo para proporcionar um filme interessante.

Após comprar um vídeo cassete velho em uma feirinha, um professor de biologia assiste à fita que tinha dentro e recebe a ligação de Samara anunciando a sua morte em sete dias. Entretanto, ele encontra uma maneira de fazer de sua experiência de quase morte um sinistro experimento científico. Ao criar cópia da fita e mostrá-las para outras pessoas, a maldição passa para a outra. Ele então se livra da morte condenando outra pessoa  – a menos que essa outra faça o mesmo com um terceiro.

Pela premissa, o cientista interpretado por Johnny Galecki poderia ser um dos mais sinistros da história do cinema. E uma trama envolvendo as complicações dessa cadeia bizarra, composta por universitários que caíram no conto do professor. Esse alunos são iludidos de que trabalhariam em um experimento que supostamente provaria a existência da alma, mas este acaba apenas potencializando o poder do espírito assassino de Samara. Poderia ser um prato cheio para reinventar a franquia, aproximando O Chamado de Premonição, talvez, mas criando novas dinâmicas e situações na franquia.

Tal premissa é desperdiçada em uma trama de investigação paranormal sobre o assassinato de Samara, envolvendo as visões da adolescente Julia (Matilda Lutz), após ela ter assistido à fita para salvar o namorado que estava envolvido no experimento. Além do fato de Júlia ser uma personagem corajosa demais para a situação toda, o que soa um tanto forçado, a investigação não empolga; tudo é muito fácil, descoberto muito rápido (Samara deixou um vídeo com pistas que parecem um passo-a-passo), o que é intercalado por sustos fáceis e visões que sabemos que são visões. Por fim, a trama do filme transforma-se em uma releitura de O Homem nas Trevas, lançamento de 2016  assinado por Fede Alvarez. Acontece que o filme de Alvarez é tudo o que O Chamado 3 não é: aterrorizante, polêmico, ousado, intrigante. São todas qualidades que ficam faltando no longa-metragem de Gutiérrez. Para se ter um exemplo, nem no prólogo, que é completamente dispensável à história, o diretor acerta, colocando uma sequência no avião pouco criativa ou assustadora. Não foi um bom começo, até porque ele opta por quebrar a cena no momento errado, soando um tanto preguiçoso.

Apesar de ser um desastre como filme de gênero ou obra de arte, O Chamado 3 guarda uma boa reviravolta para o final. Mais uma ideia desperdiçada nesse filme, que poderia ter jogado o gancho para a continuação na metade da projeção, e continuado a história do ponto em que ela realmente começou a ficar interessante.

Por Gabriel Fabri