Versões de Um Crime

É difícil inovar em filmes de tribunal, mas um juri, na vida real ou na ficção, sempre é algo empolgante. Ou seja: também é difícil estragar uma situação de tamanha tensão, aonde o destino de uma pessoa está em jogo, e os homens escolhidos em sorteio precisam decidir o destino desse desconhecido, confrontando sempre duas versões do acontecimento, sabendo que ambas podem estar erradas ou apenas parcialmente corretas. Com a habilidade de quem já dirigiu episódios da série de tribunal Law & Order: Special Victims Unit, a diretora Courtney Hunt consegue fisgar a atenção do espectador em Versões de Um Crime (The Whole Truth).

Na trama, um rico advogado é assassinado. Seu filho adolescente é o principal acusado. Para Richard (Keanu Reeves), advogado de defesa e amigo da família, esse caso será especialmente complicado. Isso pois, além de ter confessado o crime no calor do momento, o garoto se nega a dizer uma palavra sequer desde a morte do pai. Renée Zellweger interpreta a mãe do réu e ex-esposa da vítima.

O filme é muito simples: acompanhamos o advogado de defesa, também o narrador, tentando entender porque o menino não conversa com ele, completamente impossibilitado de montar um caso sem a versão do réu. Enquanto isso, vemos o julgamento se desenrolar, ficando cada vez mais evidente que o garoto precisa falar logo, ou será condenado sem a menor sombra de dúvida.

Com uma reviravolta inesperada no final, o filme surpreende, apesar desse plot twist deixar, na verdade, várias dúvidas quanto à conduta de um personagem. O que aconteceu na dinâmica dos três protagonistas, então, fica em xeque. Parece pouco crível a solução dada pelo filme, o que mostra que, na tentativa de tentar impressionar, Versões de Um Crime derrapa. Funciona como um entretenimento, mas que, infelizmente, não pode ser levado muito a sério.

Por Gabriel Fabri