A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell

Cultuada animação japonesa dos anos 1990, Ghost in The Shell ganha a sua versão live action nas mãos de Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador).  Com Scarlett Johansson no papel principal, A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell fica aquém das expectativas, mas entrega um filme mais fácil e mais envolvente do que a animação japonesa.

A trama é um pouquinho diferente da original, mas parte de uma premissa semelhante. Conhecida como Major, a personagem de Scarlett Johansson é uma humana que, supostamente, sofreu um acidente, no qual apenas o seu cérebro sobreviveu. Ela tornou-se a primeira pessoa a ter um corpo completamente novo e, com habilidades corporais altamente tecnológicas, começa a trabalhar como agente secreta para a empresa que a construiu, ligada ao governo. Nessa missão, ela deve caçar e matar um hacker que assassinou um dos caciques da companhia e que, agora, parece vir atrás dos outros. O elenco inclui também Juliette Binoche, no papel da doutora que realizou a mudança de corpo da Major.

Com o visual caprichado, o filme reconstrói Tokio com propagandas em hologramas que deixam a cidade ainda mais colorida, uma exteriorização do mundo artificial composto agora por pessoas que modificam os seus corpos com tecnologia para se aprimorarem em um nível mais extremo que o atual (por exemplo, trocar os olhos para ter visões de Raio-X). Apesar de ter abreviado a cena da perseguição do caminhão de lixo, um dos momentos mais legais da animação, o longa-metragem possui, no geral, cenas de ação caprichadas, o que deixa o filme bastante dinâmico. A melhor delas, logo no começo, mostra a Major em um poste de pole dance, trocando os movimentos de dança por movimentos de luta.

A grande sacada do filme foi, entretanto, focar a história não na perseguição de um vilão, mas na descoberta do passado da Major, permeando a ação para além de um maniqueísmo do bem e do mal e focando em questões existenciais da personagem. O que significa ser a única humana com corpo de robô? Como a experiência dela vai afetar a vida na Terra? E, o mais importante, quem era ela antes do acidente? Isso permite que a história se torne mais significativa para o público e que foque em questões maiores do que a briga entre facções da polícia da animação original. À medida que essas questões são levantadas, o filme começa a envolver mais o público.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell não é uma ficção científica inovadora, e perto de exemplos recentes como Ex Machina, parece um entretenimento banal. Mas o fato é que entretém e levanta questões interessantes, não se limitando a copiar e colar a animação japonesa, mas também respeitando o seu tom sombrio e destópico, de maneira diferente, e que torna ainda mais claras as questões envolvendo o avanço desenfreado da tecnologia, e o perigo da máquina sobrepor o humano.

Por Gabriel Fabri

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