Os Smurfs e a Vila Perdida

Após dois filmes que misturavam atores reais e animação, os Smurfs ganham um longa-metragem totalmente animado. Com direção de Kelly Asbury, Os Smurfs e a Vila Perdida diverte e emociona, mas, apesar da história um tanto simples, destaca-se pelo discurso feminista e por colocar no centro da narrativa a questão da identidade e do ser diferente.

Na vila dos Smurfs, todo mundo tem uma característica pela qual é identificada: um é o gênio, o outro é o forte, o outro é o atrapalhado, há o curioso, o ranzinza – como os anões da Branca de Neve, todo mundo é definido por uma palavra. Entre eles, todos homens, há a Smurfete, que nasceu de um feiticeiro e é mulher. Ela não descobriu a característica que a define, e sequer sabe se é uma Smurf, já que foi criada por um bruxo do mal que quer destruir a todos.  A garota descobre, entretanto, que o tal feiticeiro encontrou o mapa para uma vila perdida de Smurfs e resolve, então, fugir para alertar os outros Smurfs de que eles estão em perigo. O musculoso, o atrapalhado e o gênio a acompanham nessa aventura.

Com uma história que lembra o desenho Trolls, da Fox, mas sem o encanto das músicas e sem um vilão interessante, o filme precisa se esforçar para se tornar um entretenimento significativo para crianças e adultos. Consegue, e o mérito é do foco na protagonista, que está em crise de identidade, que se sente deslocada de seu grupo, como muitas crianças vão se sentir ao longo da vida: ela é a diferente. Sequer consegue se definir em uma única palavra – é a crítica perfeita a uma sociedade feita de rótulos e de aparências, em que os outros tentam te encaixar em algum padrão social, ou seja, em um estereótipo. Mais do que salvar uma vila de Smurfs que ela não conhece, a sua aventura é para provar o seu valor, mostrar ao público que a importância de ser diferente.

O fato da protagonista ser uma personagem feminina, a única na vila, e algumas outras surpresas no final da trama tornam o filme puro girl power, ou seja, um veículo de empoderamento feminino. Como a Poppy de Trolls, a menina viking de Valente ou a própria Moana, Smurfete é uma personagem forte, independente e complexa. Com um time de Smurfs carismáticos, o filme conquista a atenção e o coração do público durante a projeção, e deve ser uma grande inspiração para as crianças. Leve a criança que existe em você para as salas!

Por Gabriel Fabri

Um comentário em “Os Smurfs e a Vila Perdida

  • 13 de outubro de 2017 a 12:11
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    Assistir este filme é sempre uma boa pedida e, quando a sessão cinema é em família, tudo se torna ainda mais gostoso. Os filmes infantis sempre serão para todos, por que em cada um nos vemos uma mensagem muito importante. Smurfs foi meu caricatura preferida. Os smurfs e a vila perdida é um dos melhores do gênero infantis.

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