Paixão Obsessiva

O pior cenário para um filme de suspense ou terror é quando ele provoca risos na plateia sem ter essa intenção. Esse é o resultado do roteiro preguiçoso de Paixão Obsessiva, estreia da produtora Denise Di Novi (Golpe Duplo) na direção. O longa-metragem parte de uma premissa bastante simples, mas não consegue imprimir suspense ou terror na trama, cujo desenvolvimento é previsível e pouco criativo.

Noivos, David (George Stults) e Julia (Rosario Dawson) estão vivendo juntos e se preparando para contar sobre o matrimônio para a filha pequena dele, Lily. O problema é que Tessa (Katherine Heigl), a mãe da garota, ainda é obcecada (sim, essa é a palavra correta) pelo ex-marido, e morre de ciúmes, ou raiva, da nova família que o homem está construindo. Desesperada, ela apela para um golpe baixo, que envolve um ex-namorado de Julia, que já chegou a agredi-la no passado.

O filme é convencional em tudo, a começar pelo seu desenvolvimento, que não traz surpresas, reviravoltas, ou grande envolvimento com os personagens. Abrindo com uma cena de um interrogatório policial, sabemos logo de cara que alguma coisa grave aconteceu, um gancho que abre o roteiro levando o espectador a ficar curioso pela história – supondo, talvez, que seria uma trama envolvendo violência doméstica, o perigo dentro da própria casa, ou algo assim. Mas o desenvolvimento do filme leva apenas à obviedades, até chegar ao clímax risível. Heigl, no papel da ex-esposa psicopata, não convence, agindo apenas como uma caricatura dessa personagem. O roteiro não a ajuda, uma vez que se poderia construir um clima de tensão verdadeiro entre a noiva e a ex-esposa, ou até explorar a ideia do namorado agressor melhor, entretanto, o que se vê é o contrário – é tudo tão óbvio que o filme logo enterra o interesse pela história, e tem dificuldade a ser um entretenimento até se o espectador não levá-lo a sério.

Paixão Obsessiva tenta criar ainda algum subtexto sexual envolvendo a personagem de Heigl, que se masturba em determinada cena, ao ver o seu plano de crime perfeito encaminhando. É muito pouco para tentar tirar algo de proveitoso no filme, que ganha pontos apenas por, em alguns raros momentos, dar sinais de que também não se leva a sério, como em seu desfecho perfeitamente trash, ou em uma ou outra frase engraçada de um personagem, que desnuda a pouca credibilidade do filme, como se, sem que os produtores percebessem, o próprio filme estivesse implorando para o espectador relaxar, uma vez que, se buscava um suspense de verdade, deveria ter entrado em outra sessão.

Por Gabriel Fabri