Mulher-Maravilha

Após Batman vs Superman e Esquadrão Suicida dividirem as críticas, a expectativa para o filme solo da Mulher-Maravilha, icônica personagem da DC Comics, era grande – assim como a sua responsabilidade diante da formação do universo cinematográfico da companhia, nos moldes do que está em execução pela Marvel. A personagem, interpretada por Gal Gadot, roubou a cena ao fazer uma ponta em Batman vs Superman e aparentava ter o frescor que o universo precisava para vingar. Mulher-Maravilha (Wonder Woman), o longa-metragem dirigido por Patty Jenkins (de Monster – Desejo Assassino), não só cumpre o que promete mas é talvez o melhor filme de super-heróis em muito tempo.

A trama conta a história de origem da heroína. Vemos Diana (Gadot) desde criança, quando era impedida pela mãe, Hipólita (Connie Nielsen), de treinar e lutar como as outras amazonas que viviam na ilha, habitada apenas por mulheres fortes e guerreiras, que aguardam o retorno do Deus da Guerra, Áries, para ter o combate final. Quando Steve Travor (Chris Pine), espião britânico, naufraga na ilha, entretanto, Diana toma conhecimento da I Guerra Mundial, na época tratada como a guerra que daria o fim para todas as guerras. Ela se convence que, por trás do confronto, está Áries, e que é sua missão encerrar a guerra, assassinando o deus grego, que estaria incorporado em um general alemão.

Introduzindo uma ilha de mulheres guerreiras e poderosas, o longa-metragem conquista a simpatia do público desde o início, quando vê a protagonista ainda criança querendo lutar. As cenas de ação na ilha, em que curiosamente há uma divisão clara entre homens e mulheres, são excelentes, inclusive no uso do 3D, algo raro. E esse início empolgante serve de contraponto para o que vem a seguir, explicando o estranhamento de Diana em face à sociedade europeia do início do século XX: de uma ilha de mulheres protagonistas a uma sociedade de “belas, recatadas e do lar”. Desse choque cultural, nasce todo o humor do filme, que é bem colocado, sem exageros, e bastante político, uma vez que questiona abertamente, aproveitando-se da ingenuidade da protagonista, as regras patriarcais da sociedade da época, e que continuam em pé até hoje.

Com momentos memoráveis, como a cena de bravura nas trincheiras, o filme conquista os corações do público com a combinação de uma protagonista forte e simpática, que brilha na atuação de Gadot; cenas de ação que não devem a nenhum outro filme do gênero; bom uso do humor, sem exagerar ou comprometer o tom mais sério que costuma-se atribuir aos filmes do universo criado por Zack Snyder (O Homem de Aço); e uma importância política tremenda, ao dar vida e protagonismo à personagem mulher mais forte desse universo. É possível ir mais longe: com uma mulher na direção, Mulher-Maravilha apresenta talvez a maior heroína já vista nos cinemas, tratando-se de filmes de super-heróis.

O único pecado do longa-metragem é, em seu clímax, ser óbvio demais, após ensaiar que tomaria um caminho diferente diluindo o conceito de vilania e mostrando que o mau não está em um único indivíduo, por exemplo. Mesmo não indo muito a fundo nessa ideia, é um momento empolgante e bem feito. Em suma, uma história sobre fé e sobre amor, sobre quebrar tabus, questionar regras. Um filme que mostra a importância de se ter convicções, e, de certa forma, problematiza também a dificuldade de se abrir para novas ideias (e se o tal do general não for Áries, como a Mulher-Maravilha vai parar a guerra?). Um espetáculo divertido, político, e, por fim, pode-se arriscar a dizer: histórico.

Por Gabriel Fabri

Um comentário em “Mulher-Maravilha

  • 31 de maio de 2017 a 13:51
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    Demais! Amei a resenha e apesar do desfecho parecer bem clichê, estou ainda mais ansiosa para assistir o filme!

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