As Duas Irenes

Exibido no Festival de Berlim, e depois premiado em Gramado, o drama adolescente As Duas Irenes, com direção de Fabio Meira, é uma excelente surpresa dentro do cenário do cinema nacional independente. O longa-metragem conta uma história sobre vidas duplas e segredos, permeada pelas descobertas da adolescência – o resultado é uma graça.

A história é simples. Em uma cidade de interior, Irene descobre que seu pai esconde uma outra filha de outro casamento, e constantemente visita a sua segunda família. Não é coincidência que o nome da outra garota também seja Irene. Com um nome falso de Madalena, a menina se aproxima da meia irmã, que é completamente diferente dela: uma é tímida e reprimida, a outra é extrovertida e leva uma vida com mais liberdade. Irene/Madalena descobrirá não só uma irmã ou a vida de aparência de seu pai, mas também, e esse é o charme do filme, passará pelas descobertas da adolescência.

Com atuação cativante de Isabela Torres e Priscila Bittencourt, nos papeis das Irenes, o filme prende a atenção do espectador do começo ao fim, muito por conta das situações comuns da adolescência. Embora a premissa, de uma jovem que começa a viver uma vida dupla (como o seu pai), não seja nada comum. A decisão de focar o roteiro na amizade entre as meias-irmãs é certeira, e o filme aposta numa visão positiva: uma história de vida dupla, de descoberta de uma escapada do patriarca fora de seu casamento, encoberta por mais de uma década, poderia acabar mal. O filme chega até a ensaiar uma tensão, mas resolve seus conflitos por outro caminho, o que colabora para que As Duas Irenes conquiste corações por sua leveza.

Por Gabriel Fabri