Satã Disse Dance (41ª Mostra)

Para falar sobre o vazio de sentido da juventude, regada a sexo sem amor, álcool, drogas, e ainda mais em uma situação de fama, nada mais apropriado do que falar sobre redes sociais. A produção polonesa Satã Disse Dance (Szatan Kazal Tanczyc), da diretora estreante Kasia Roslaniec, exibida na 41ª Mostra Internacional de Cinema, inspira-se no Instagram para contar a sua história.

Com o enquadramento quadrado, que lembra as fotos dessa rede social, Satã Disse Dance acompanha a rotina de uma jovem de 27 anos, em turnê com o lançamento de seu novo livro. Na televisão, ela é chamada de um símbolo da decadência da nação polonesa, por um canal conservador em que ela vai divulgar a sua obra. Com muitos amantes, uma relação esquisita com a irmã e muitas drogas e sexo, Karolina (Magdalena Berus) vive cada dia como se fosse o último, talvez torcendo para que aquele seja o último mesmo.

A estrutura fragmentada, desconexa do filme, poderia ser um atrativo, mas não é bem aproveitada, uma vez que enfraquece o envolvimento do público com a protagonista – estamos falando de um filme de duração média, mas a sensação que traz é de que se trata de algo que não acaba. Anunciado como um quebra-cabeça, é fácil se cansar de suas peças, uma vez que elas são tão parecidas e não muito criativas. Cansar o público à toa, porque tem pouco a dizer, em um filme recheado de festas, sexo e nudez, é para poucos. Melhor viver as nossas próprias festas e depois ficar postando as fotos no Instagram.

Por Gabriel Fabri

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