Scary Mother (41ª Mostra)

Após um tempo reclusa, chega o dia de uma dona de casa finalmente revelar para a sua família o livro no qual ela vinha trabalhando. O marido e os seus três filhos, entretanto, ficam chocados com o conteúdo da obra, expressão de uma senhora com emoções reprimidas, a raiva em especial. Após a leitura, a famílias começa a enxergar a mulher com outros olhos.

Essa é a premissa de Scary Mother, longa-metragem de Ana Urushadze. O filme foi o escolhido da Geórgia para disputar uma das cinco indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018 e é um dos destaques da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O roteiro acompanha a degradação da personagem que, a partir da mal recepção à sua obra, da início a um processo de autodestruição – ou seria de reconstrução de si própria? A personagem, brilhante na atuação de Nato Murvanidze, percebe que o seu grito de desespero, o livro, que simboliza toda a sua expressão reprimida por anos, causou desconforto em sua família. Eles queriam, em especial a figura controladora do marido, que ela se mantivesse calada. Mas Manana não pretende ceder às pressões: presa em sua própria loucura e angústia, ela busca um desfecho para o seu livro.

Bem construído, o filme consegue manter a curiosidade do espectador desperta, embora peque por ensaiar um flerte com o surrealismo e certa mitologia local, mas depois parece mudar de ideia. Além disso, a cena final do filme é um ponto alto, mas o seu didatismo prejudica um pouco a obra – como se fosse necessário explicar tudo para o público, sem deixar pontas soltas. No fim, Scary Mother entretém mais do que provoca.

Por Gabriel Fabri 

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