A Arte de Amar (41ª Mostra)

O nome de Michalina Wisłocka certamente não é muito conhecido por aqui. Entretanto, essa sexóloga e ginecologista polonesa teve um papel fundamental na vida das mulheres na Polônia comunista, ao publicar, em 1978, o livro A Practical Guide to Marital Bliss, um guia que ensinava as mulheres (e os maridos) a conhecerem os seus corpos e a terem prazer – em uma época em que sexo era obrigação do casamento e não uma fonte de prazer para as mulheres.

A história de Michalina, interpretada por Magdalena Boczarska, é contada em A Arte de Amar, da estreante Maria Sadowska. Paralelamente à sua trajetória de vida, que inclui um complicado relacionamento a três, o filme acompanha os desafios da autora para publicar a sua obra.

Preocupado em retratar um episódio de transformação social, o longa-metragem é mais um exemplo de filme que visa valorizar as conquistas das mulheres, ao longo do século XX especialmente, por direitos iguais. O caminho é contar essa história real que hoje é pouco conhecida, mostrando como coisas que são óbvias no dia de hoje, como a ideia de que o sexo também tem que dar prazer para a mulher, não eram assim tão claras há 40 anos.

A história do filme já é rica por si só e a direção de Sadowska é competente ao valorizar a sua personagem e o material em mãos. O longa-metragem certamente irá deixar as mulheres refletindo sobre suas conquistas e os homens, se não refletirem também sobre o movimento feminista em si, certamente vão refletir sobre se estão realmente dando prazer para as suas companheiras.

Por Gabriel Fabri

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