Sarah Interpreta um Lobisomem (41ª Mostra)

Produção suíça, falada em francês, Sarah interpreta um Lobisomem (Sarah Joue Un Loup-Garou) tem um título irreverente e curioso. Mas não se deixe enganar pelo nome misterioso, cujo significado deve pairar na cabeça do espectador após a sessão; não se trata de algo trash nem muito bem-humorado. O humor está presente apenas pontualmente nesse intenso longa-metragem sobre a adolescência e a imaginação, que faz parte do Foco Suíço da 41ª Mostra Internacional de Cinema.

A trama traz uma jovem solitária que ama escrever peças e acredita na grandiosidade do romance de Romeu e Julieta, de Shakespeare. Ela tem uma única amiga, que acabou de conhecer  fingindo estar de luto pelo suicídio do irmão, que apenas mudou de cidade. Para os pais, ela fala da morte de seu namorado, Luke (inspirado em Star Wars), o único que a compreendia – o garoto é mais um fruto da imaginação de Sarah (Loane Balthasar), cujo relacionamento mais próximo de um namoro são as insinuações constantes do próprio pai.

O que começa como um relato comum da adolescência ganha seu encanto pela imaginação de Sarah, uma maneira da garota expressar seus anseios e solidão. Ela fantasia com cenas de violência sexual, inspirada em uma história que sua amiga lhe contou na Igreja, e a coloca no texto. Aos poucos, o espectador vai adentrando cada vez mais na tristeza da garota, e, quando menos se percebe, o filme se revela uma obra sobre depressão, solidão e a sensação de incompreensão da adolescência. Sarah Interpreta um Lobisomem é simples, mas resultado é incômodo, belo e intenso.

Por Gabriel Fabri

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