As Boas Maneiras (41ª Mostra)

Sempre flertando com o sobrenatural, o horror e, às vezes, até o brega, Marco Dutra e Juliana Rojas se tornaram dois nomes de prestígio no cinema nacional desde que lançaram o inteligente Trabalhar Cansa. Após cada um lançar o seu projeto solo, Dutra com Quando Eu Era Vivo e Rojas com Sinfonia da Necrópole, a dupla volta a trabalhar novamente em As Boas Maneiras, vencedor do prêmio especial do juri no Festival de Locarno, o segundo prêmio de maior prestígio do evento suíço.

A trama é inusitada: voltando a falar novamente de relações trabalhistas, agora dentro de uma casa, Rojas e Dutra  contam a história de Ana (Marjorie Estiano), uma mulher jovem prestes a ser mãe-solteira. Ela busca uma empregada que também trabalhe de babá e acaba encontrando Clara (Isabél Zuaa). Logo surge uma tensão entre elas, quando a patroa começa a ter comportamentos estranhos durante o seu sonambulismo – que, não por acaso, acontece em noites de lua cheia. A tensão se torna sexual, mas o nascimento do filho mudará tudo.

Brincando com histórias de lobisomens, As Boas Maneiras surpreende o espectador do começo ao fim. É um longa-metragem que começa sério, prometendo um terror sobrenatural, mas aos poucos vai se transformando em uma comédia, sem deixar de lado uma certa tensão, que nunca é muito grande a ponto de caracterizar o longa-metragem como um terror.

Se a premissa é inusitada, o desfecho é ainda mais, o que provocou aplausos na sessão da 41ª Mostra Internacional de Cinema em que foi exibido. Rojas, em Sinfonia da Necrópole, já tinha feito um filme meio doido com elementos sobrenaturais, mas aqui, o resultado é ainda mais maluco e inusitado. Embora abuse dos números musicais, deixando o filme ainda mais próximo do trash, o longa-metragem tem tudo para se tornar um clássico do cinema nacional. É criativo e tem personalidade.

Por Gabriel Fabri 

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