Feio e Cega (41ª Mostra)

Uma premissa bastante peculiar a de Feio e Cega, longa-metragem alemão dirigido por Tom Lass. Mostrando que um relacionamento nascido de uma mentira não necessariamente está fadado ao fracasso, o filme acompanha a fase de rebeldia de uma garota que se rebela contra os pais, a dificuldade de achar um apartamento e os padrões sociais de beleza.

Ferdi (Tom Lass) é um sujeito sem o menor trejeito social, não tem um amigo, quiçá uma namorada. Entre suas idas e vindas a clínicas psiquiátricas, ele resolve cometer suicídio. É quando é avistado por Jona (Naomi Achternbusch), uma jovem que está fingindo ser cega para poder morar no mesmo prédio em que a prima, esta cega de verdade. Ferdi vê ali a sua esperança: namorar com uma garota que não consegue vê-lo e, assim, sem as pressões da linguagem corporal e da beleza física, ele possa finalmente ter uma companheira. O que ele não desconfia é que a cegueira dela não passa de uma farsa.

Além da premissa original, o filme de Lass ganha pontos pela atuação de Achternbusch, que conquista o espectador, apesar de sua personagem não tomar uma atitude moralmente aceitável: afinal, ela se passa por cega para obter benefícios para si. Com humor e leveza, vemos um romance entre esse casal problemático e improvável, com aquela leve ansiedade de saber quando que a máscara de Jona irá cair. O filme tem os seus momentos divertidos e deixa uma boa mensagem, em especial quanto à questão da importância das aparências.

Por Gabriel Fabri

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