Thelma

Uma garota tímida e religiosa finalmente sai das asas super protetoras dos pais para morar sozinha em uma outra cidade e fazer faculdade. Ela parece uma adolescente inibida como tantas outras, mas, como a cena inicial mostra, teve na sua infância um episódio curioso: seu pai, ao caçar um cervo, cogitou por um instante atirar na garota quando ela tinha cinco anos (e não no animal). Esse é o gancho que marca o início de Thelma, de Joachim Trier, representante da Noruega na corrida pelo Oscar 2018 de Filme Estrangeiro.

O longa-metragem critica, de maneira hiperbólica, os efeitos de uma educação super protetora e/ou religiosa. A culpa por explorar a sexualidade ou até mesmo a bebida alcoólica afligem a personagem, que mantém um contato excessivo com os pais vigilantes. Reprimindo emoções e desejos, Thelma (Eili Harboe) descobre um meio sobrenatural de extravasar.

Brincando com o onírico e o horror, o filme de Trier consegue construir a sua crítica de maneira criativa, embora por vezes o filme pareça se arrastar demais. Falta um pouco mais de desenvolvimento nos personagens da família da garota, em especial o pai, homem da ciência em uma família onde o fantástico corre pelas veias. Mas nada que prejudica Thelma, um longa-metragem intenso e com uma mensagem marcante sobre aceitação e o poder de escolher quem você é. O desfecho, positivo e inesperado, é um ponto alto da obra.

Por Gabriel Fabri