Maze Runner: A Cura Mortal – Crítica

Com o fim de Jogos Vorazes após quatro filmes e a interrupção abrupta da série Divergente (que não terá o seu final concluído no cinema), o boom de distopias adolescentes parece ter chegado ao seu fim. Sobrou, com certo atraso, apenas a conclusão da saga Maze Runner, iniciada em 2014. Maze Runner: A Cura Mortal encerra a trilogia novamente sobre o comando de Wes Ball. Ao filme, que entrega um final digno à série, falta um frescor de novidade para manter um interesse maior na trama, que não aprofunda os dilemas morais de seus personagens.

Após ter seu amigo capturado novamente pela CRUEL, a empresa que tortura e realiza testes com os imunes para encontrar a cura para um vírus que transformou quase toda a humanidade em zumbi, Thomas (Dylan O’Brien) resolve, após uma tentativa de extração mal-sucedida, interromper a fuga que liderava para invadir a cidade controlada pela empresa e libertar seu colega do destino de ser cobaia de laboratório. Lá, ele terá que lidar com a presença de Teresa (Kaya Scodelario), que traiu o grupo para se juntar à CRUEL.

A Cura Mortal é, de certa forma, bem parecido com o longa-metragem anterior, Prova de Fogo. Se antes eles corriam para longe da empresa, agora correm em direção a ela. O dilema moral, a melhor coisa dos dois filmes, continua presente, mas não é muito aprofundado: até que ponto os fugitivos não estão sendo egoístas ao lutar contra a CRUEL, a única instituição que tenta encontrar uma cura para o vírus? Se Teresa às vezes sente remorso por ter traído o grupo, é impressionante como os heróis do filme jamais questionam se estão fazendo a coisa certa ou não, ou se há um meio-termo, talvez uma maneria dos testes serem realizados sem submeter os jovens a experiências torturantes como a do labirinto do primeiro filme.

O trunfo do longa-metragem é o fato de ele quase se salvar de ser apenas uma boa diversão, ao colocar a esperança da humanidade nas mãos do vilão, a CRUEL, diminuindo assim o maniqueísmo da trama – mas, novamente, é algo que já estava presente no filme anterior. A Cura Mortal tem boas cenas de ação, apesar de ser um pouco longo e às vezes previsível. É um final digno e divertido, mas que fica aquém do potencial da história.

Por Gabriel Fabri

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