A Forma da Água – Crítica

Tendo o belo O Labirinto do Fauno no currículo, o diretor mexicano Guillermo Del Toro retorna a misturar poesia e o universo fantástico no longa-metragem A Forma da Água. Dividindo o favoritismo ao Oscar de Melhor Filme com Três Anúncios Para Um Crime, tendo assegurado 13 indicações, o filme conta uma história de amor a lá A Bela e a Fera, envolvendo uma moça muda e um monstro aquático.

Elisa (Sally Hawkins)  e Zelda (Octavia Spencer) são duas faxineiras em uma instalação governamental de pesquisa científica. Elas são surpreendidas pela chegada de um novo chefe, que veio se encarregar de um novo objeto de pesquisa da unidade: um monstro aquático encontrado na América do Sul. Elisa, que consegue ouvir mas, por causa de uma agressão na infância, não consegue falar, se identifica com o “monstro” e começa a sentir afeto por ele.

As referências mais óbvias da fábula de amor criada por Del Toro são filmes como E.T. – O Extraterrestre e A Bela e A Fera, que mostram o lado humano de uma suposta monstruosidade – uma lição sobre a verdadeira beleza, a interior. Entretanto, a referência mais importante aqui é o melodrama Tudo O Que O Céu Permite, de Douglas Sirk: o amor impossível de uma dona de casa reprimida pela sociedade machista ecoa não só pela ambientação do longa-metragem de Del Toro nos anos 1960 (o filme de Sirk é dos anos 1950), mas também porque A Forma da Água  retrata um amor que é impossibilitado pelos olhares julgadores do patriarcado (no caso, os homens do governo, na figura do vilão Strickland, interpretado por Michael Shannon). Por trás dessa história de amor improvável, temas como machismo, racismo e diferenças de classes são sutilmente abordados, detalhes que dão corpo à narrativa, por si só bastante simples.

A Forma da Água é uma história simples e que aposta na força dessa simplicidade. Fala sobre ser diferente, e sobre tentar enxergar no diferente um semelhante. Por isso tanta atenção ao filme nessa temporada de premiações. Com destaque especial a uma bela cena de romance debaixo d’água, o filme deve conquistar os corações do público. Não é tão criativo como trabalhos anteriores do diretor, mas, justamente por falar sobre a relação com o diferente, o longa-metragem se mostra uma fábula necessária.

Por Gabriel Fabri

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